Brasília - O deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ), 52 anos, autor das denúncias sobre o “mensalão”, disse ontem no plenário da Câmara que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cometeu o crime da “omissão” e buscou conquistar um apoio de última hora dos deputados ao acusar o governo de tentar transferir a responsabilidade pelo escândalo para o Congresso. “Estamos em uma guerra fratricida, sanguinária, entre nós, quando a corrupção está na praça do lado de lá, de lá partiu a corrupção, do lado de lá”, disse Roberto Jefferson.
O petebista, que estava no seu sexto mandato consecutivo como deputado federal, denunciou o esquema do “mensalão” em entrevista à “Folha de S. Paulo” publicada no dia 6 de junho, gerando a maior crise política do governo Lula. “Tirei a roupa do rei, mostrei ao Brasil quem são esses fariseus, mostrei ao Brasil o que é o governo Lula, mostrei ao Brasil o que é o Campo Majoritário do PT”, afirmou o deputado, antes do começo da votação que cassou o seu mandato.
“O meu conceito do presidente Lula é que ele é malandro, ele é preguiçoso. O negócio dele é ó (fez um gesto de avião com a mão), passear de avião, governar que é bom ele não gosta. (...) Se não praticou o crime por ação, pelo menos por omissão”, afirmou Jefferson, para quem o ex-ministro José Dirceu “tratou a Câmara” como “um prostíbulo”.
Jefferson afirmou ainda haver “ministro” que recebeu o “mensalão”. “E a turma que financiou isso, vai ficar de fora? Tem ministro que recebeu o “mensalão’, crime administrativo claro. E tá tudo em silêncio, não vem depor na CPI, não são pesquisados, não são confrontados e a culpa é só nossa, somos a Geni no Brasil”, disse, fazendo alusão à personagem da música de Chico Buarque.
Apesar disso, não apresentou novas denúncias sobre o suposto esquema, como era esperado, nem informou o destino dos R$ 4 milhões que admitiu ter recebido do PT, sem registro na Justiça Eleitoral, a título de financiamento de campanha.
O petebista foi bastante aplaudido por parte das galerias da Câmara, que estavam lotadas, e por aliados no plenário, que diziam que ele seria absolvido após o discurso, que durou 41 minutos. Além dele, seus advogados falaram outros 36 minutos e insistiram na tese de que Jefferson não pode ser cassado devido a inviolabilidade de opiniões que tem garantida pela Constituição.
Em sua fala, o petebista claramente usou a estratégia de “jogar” os deputados contra o Palácio do Planalto e não poupou o PT, a quem classificou como “rato magro”, que se “lambuzou” ao chegar ao poder. No final, Jefferson se despediu. “Entrego 23 anos de mandato. Confesso que estou um pouco cansado, mas honrei o Parlamento. Todos os dias investigam minha vida, não conseguiram colocar nada no jornal que pudesse ferir minha honra, não conseguem fazer nenhuma acusação contra minha honra. Saio de cabeça erguida.” Seus advogados dizem que vão recorrer ao STF para tentar reaver o mandato.