Economia & Negócios

Setor alimentício amplia participação no ICMS

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

A arrecadação de Imposto Sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de janeiro a junho deste ano da indústria alimentícia de Bauru cresceu 60,56% na média mensal em relação aos seis primeiros meses de 2004. Os dados são do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), regional Bauru, e mostram que o segmento já arrecadou para o Estado cerca de R$ 14 milhões até junho deste ano.

Numa demonstração de expansão da indústria alimentícia local, conforme o Ciesp, as exportações do alimentos até agosto também mostraram crescimento, com faturamento de US$ 14,5 milhões. O aumento na média mensal é de 77,93% na comparação entre 2004 e o primeiro semestre de 2005.

Os números do Ciesp apontam que, nos primeiros seis meses deste ano, o valor exportado ultrapassou 2004 em US$ 2,2 milhões.

O conselheiro do Ciesp Domingos Malandrino informa que, em termos de arrecadação de ICMS, Bauru supera Marília, município conhecido como a Capital Nacional do Alimento. “A indústria alimentícia bauruense se destaca pela diversidade. Atuamos em vários segmentos alimentícios, enquanto Marília concentra a produção no setor de bolachas”, analisa.

Porém, nacionalmente Marília tira melhor proveito do marketing de ser referência no segmento. “Isso é uma questão que não adianta chorar o leite derramado. Nós já perdemos a oportunidade porque eles criaram a marca e ninguém vai tirar isso deles, nem é nosso intuito. Queremos organizar nosso setor”, afirma.

Ele acrescenta que Bauru deve recuperar o espaço perdido com ações para incrementar a multiprodução ao invés de se ater a um único setor.

Para aproveitar o momento, o Ciesp, o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Bauru e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) estão fomentando a criação do Comitê Regional do Setor Alimentício.

O comitê tem como finalidade aglutinar as pequenas, médias e grandes indústrias para organizar e projetar o setor produtivo. Entre as ações desenvolvidas, está a capacitação das empresas para os desafios da competição, compras conjuntas e outros temas de interesse do segmento. Em Bauru, existem comitês do setor gráfico, moveleiro e de baterias.

Malandrino argumenta que Bauru e região têm no setor de alimentos empresas pouco conhecidas mas muito importantes. Ele ressalta que 98% das empresas da área são micro e pequenas que abastecem a região e até o Estado. No setor de aves, o conselheiro do Ciesp cita frigoríficos pouco conhecidos em Tatuí e Iacanga. No segmento de bebidas, há uma grande cervejaria em Agudos. Em Bauru, Malandrino cita um frigorífico de abate de bovinos, uma indústria de extração de óleo consumido no mundo todo, uma fabricante de balas, confeitos e gomas de mascar e outra no segmento de sucos em pó.

Malandrino que também é industrial, ressalta ainda que a cidade abriga uma empresa do setor de massas (pastifício) que no ano que vem completará 60 anos.

Na sua opinião, falta definir o marketing e a união do setor, fatores que contribuem para o não-conhecimento da importância dessas empresas no mercado. Como perda pela falta de unificação, Malandrino cita problemas sérios com legislação de embalagens, leis ambientais e controle fitossanitário.

“Há uma série de medidas tomadas quase diariamente em relação à segurança dos alimentos e que geram ônus e problemas, inclusive inviabilizando muitas dessas micro e pequenas empresas.”

Pesquisa

As lideranças das entidades acreditam que a organização do setor em um comitê vai proporcionar a melhoria na qualificação da mão-de-obra, com ação do Senai, e o avanço no gerenciamento, com a intervenção do Sebrae. Ao Ciesp cabe aglutinar as ações do comitê, que ainda não está formado, mas será gerenciado por empresários da indústria.

No atual estágio de formatação do grupo, 280 empresas receberão, a partir desta semana, um questionário que servirá como uma radiografia do setor alimentício.

O gerente regional do Sebrae-SP, Milton Aparecido Debiasi, destaca que a organização no formato de comitê é fundamental para impulsionar o segmento produtivo. Ao invés de aflorar diferenças entre concorrentes de um mesmo setor, as empresas engajadas no processo encontram soluções em conjunto.

“Depois de várias reuniões, nós fazemos uma oficina de cooperação que consolida a importância dos empresários trabalharem juntos. A partir daí, ficará um grupo mais comprometido, que acabará montando o planejamento participativo que dará o norte para os planos de ações e a resolução dos problemas apontados no início do processo”, explica.

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Capacitação

A escola do Serviço Nacional da Indústrial (Senai) em Bauru vai abrigar um núcleo de capacitação no setor de panificação em uma área de 370 metros quadrados. A iniciativa é uma parceria com o Sindicato da Panificação e o Comitê Regional do Setor Alimentício, que já começa a atuar.

O diretor do Senai de Bauru e Lençóis Paulista, Reinaldo Munhoz, explica que serão investidos cerca de R$ 600 mil com adequação da área e atualização de equipamentos. Ele comenta que o núcleo terá excelência em relação à tecnologia e também à segurança na manipulação de alimentos.

Munhoz comenta que o Senai vai somar-se ao comitê por meio da capacitação de empresários e funcionários e ainda assessorá-los com informações para a aquisição de equipamentos e organização de layouts.

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