A atual presidente do Partido dos Trabalhadores (PT) em Bauru, Estela Almagro, foi reeleita ontem com 96,1% dos votos válidos (que não incluem brancos e nulos) no Processo de Eleições Diretas (PED). É a terceira vez consecutiva que Estela sai vitoriosa das urnas nas eleições internas do partido. Seu principal concorrente na votação de ontem, o sindicalista Roque Ferreira, obteve dez votos. Estela recebeu 253. Seis filiados anularam o voto e oito votaram em branco. Atualmente, Bauru tem cerca de 800 filiados petistas.
A eleição foi marcada por denúncias de fraude feitas pelo candidato derrotado e por outros dois concorrentes que tiveram suas chapas impugnadas depois que a comissão eleitoral apontou irregularidades nos processos de solicitação de candidaturas.
Roque e Isaias Daibem, um dos impugnados, adiantaram que amanhã entrarão com pedido de impugnação da eleição em Bauru junto a Executiva do partido em São Paulo.
A chapa “Ética e Compromissoâ€, encabeçada por Daibem, aponta diversas irregularidades durante o processo eleitoral. Uma delas é que as eleições foram realizadas sem a formação da Comissão de Organização Eleitoral, considerada obrigatória. Outra falha, na avaliação dos integrantes da chapa impugnada, foi a divulgação dos locais de votação a um dia apenas da eleição. “A fraude é um comportamento permanente do diretório de Bauruâ€, criticou Daibem.
Roque, da chapa “Terra, Trabalho e Soberaniaâ€, reclamou que vários filiados contrários à corrente majoritária do partido, à qual pertence a atual presidente, foram impedidos de votar. “Na nossa chapa, nomes que estão concorrendo hoje (ontem) à chapa nacional não estão podendo votar, porque não constam da lista municipal. Isso é um absurdoâ€, protestou Roque.
A presidente alegou que os filiados impedidos de votar deixaram de fazer o recadastramento, estão no partido há menos de um ano ou não estão em dia com a contribuição partidária. “Pessoas do meu grupo também ficaram de foraâ€, disse.
Embora impedidos de votar, esses filiados podem ser votados. Na opinião de Roque, trata-se de uma “cidadania pelo meioâ€. “Isso é uma inovação criada aqui em Bauru. A cidade é sem limites até nisso. Sem limites na fraude. Sem limites no desavergonhamento. Sem limites na corrupçãoâ€, atacou.
“O que está acontecendo no PT hoje é uma imoralidade. A Estela ia ganhar as eleições. Não precisava ter feito essa fraudeâ€, declarou Roque pouco depois do início das votações, no Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil, na quadra 5 da rua Monsenhor Claro.
“Foi isso que levou o PT a estar envolvido com o “mensalãoâ€, com corrupção. É isso que gera os “Delúbiosâ€. Em Bauru tem os “Delubinhos†também. Como filiado do PT há 25 anos, militante histórico do partido, não posso aceitar issoâ€, reclamou.
Ainda no ataque, Roque compara a situação vivida pelo partido em Bauru com a situação em nível nacional. “Hoje (ontem) aqui em Bauru, nós estamos vendo o retrato da degeneração que o Campo Majoritário impôs ao Partido dos Trabalhares.â€
Sobre o recadastramento que não teria sido feito pelos filiados impedidos de votar, o sindicalista mais uma vez alega que foi tudo uma fraude. “Temos aqui uma companheira que se recadastrou, que paga o partido, só que o nome dela não está na lista para votar. Como é que se explica isso?â€, indagou.
A “companheira†citada por Roque é Neusa Maria Yshizuka, 54 anos. Ela afirma que fez o recadastramento e está em dia com a contribuição partidária, mas não pôde votar.
Estela, por sua vez, disse que “toda eleição é a mesma coisaâ€, referindo-se às reclamações feitas pelos adversários. “Eles tentaram o tempo todo tumultuar a eleiçãoâ€, comentou.
Para que não houvessem argumentos dos concorrentes contra a legitimidade da votação, Estela disse que a comissão eleitoral aceitou abrir uma urna em separado para receber os votos daqueles que não estavam na lista. Ficaria a cargo da Executiva Estadual do partido avaliar se esses votos seriam considerados ou não. “Aberta a urna, o que aconteceu? Eles decidiram não votarâ€, relata.
Sobre os pedidos de impugnação da eleição em Bauru, a presidente reeleita disse que não está “nem um pouco preocupadaâ€. “Isso faz parte do processo democrático. Cada um escolhe a forma que quer protestar. Eles escolheram a delesâ€, destacou.
Na eleição das chapas, a do campo majoritário recebeu 242 votos e a chapa “Terra, Trabalho e Soberania†recebeu 11 votos. Com isso, o grupo da presidente poderá indicar 95,6% dos membros que irão compor o diretório municipal. O restante será indicado pelo grupo de Roque Ferreira.