Regional

Pisoteado por touro, peão vai para UTI

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 2 min

Lençóis Paulista - O peão Marcelo Amaral, de Lençóis Paulista, montou na 13.ª Festa de Peão de Macatuba, a pedido de um amigo que não pôde comparecer. O favor, entretanto, quase custou a vida dele. Durante a apresentação, ele caiu, foi pisoteado pelo touro e sofreu perfuração nos dois pulmões. O peão foi encaminhado ao Hospital de Base (HB) de Bauru e permanece internado em estado regular na Unidade de Terapia Intensiva (UTI).

Em decorrência dos ferimentos, ocorridos no último dia 10, Amaral ficou em coma durante, aproximadamente, uma semana e foi submetido a duas cirurgias. Ontem, seu estado deixou de ser considerado grave. De acordo com funcionários do HB, Amaral ainda não tem previsão de alta, mas já está consciente e respira sem o auxílio de aparelhos. Segundo amigos do peão, as conseqüências não foram mais graves porque ele usava colete e capacete na hora do acidente.

O touro, de pelo menos 700 quilos, caiu sobre as costas de Marcelo, segundo a professora Eleni Vieira Ribeiro, amiga do peão. De acordo com o proprietário de uma organização de rodeio, responsável pela festa de Macatuba, Eduardo Cristóvão Nelli, o acidente foi uma fatalidade e o apoio ao rapaz e à família estaria garantido. “O que ele precisar, ajudaremos”, afirma. A família do peão não foi localizada para falar sobre o assunto.

A profissão de peão de rodeio foi regulamentada em 2001 pelo governo federal e a lei estabelece que o contratante do peão é responsável pelas as despesas médicas que aconteçam durante o trabalho. Apesar de regulamentada, a profissão não prevê a obrigação do uso de equipamentos de segurança. Além de Marcelo Amaral, outros dois peões ficaram feridos na festa de Macatuba. Segundo Nelli, porém, eles sofreram apenas ferimentos leves. “Já é de praxe (acontecer acidentes), infelizmente”, diz.

Perigo

Marcelo Amaral, 24 anos, é nascido no Estado do Rio de Janeiro, mas atualmente vive e trabalha em Lençóis Paulista como domador de animais e peão. “Ele monta há anos e já ganhou muitos prêmios”, lembra Eleni Ribeiro.

Há um ano, o peão sofreu um acidente semelhante em Agudos e também teve um dos pulmões perfurados. “Mas não foi tão grave como este”, compara a amiga. Após este acidente, se depender de Eleni, Amaral não volta aos rodeios. “Não vamos mais deixar ele montar.” Apesar do apelo, ela sabe que não será fácil fazer o rapaz abandonar a profissão. Mãe de peão, a professora já desistiu de fazer o mesmo pedido ao filho Vitor Spadotto, 19 anos.

“Já entreguei na mão de Deus”, brinca. Assim como Amaral, Spadotto já sofreu ferimentos graves durante os rodeios, mas tempos depois voltou à prática. Apesar de o filho já ter conquistado prêmios e ganhar R$ 1 mil em média pelas vitórias, o dinheiro não compensaria o risco da profissão. “É um esporte muito perigoso”, pondera a mãe.

Comentários

Comentários