Brasília - Marcada para a próxima quarta-feira, a eleição para presidente da Câmara dos Deputados terá novas regras e um inédito debate televisionado entre os candidatos. Por consenso, os líderes partidários reunidos ontem pela manhã decidiram proibir a utilização de cartazes, faixas, banners e santinhos na “campanha eleitoral” interna, o que, se for respeitado, fará dessa uma eleição bastante diferente das anteriores.
Trata-se de um acordo informal, no entanto, sem previsão de sanções para quem descumpri-lo. Na eleição que consagrou Severino Cavalcanti (PP-PE), em fevereiro, os corredores, gabinetes e salas da Câmara ganharam o apelido de “arraial de festa junina”, tamanha era a quantidade de bandeirinhas e faixas afixadas. O mesmo ocorreu em 2001, na disputa entre o então pefelista Inocêncio Oliveira (PE) e o tucano Aécio Neves (MG), vencida por este último. “Não há tempo para grandes produções de campanha, mas, mais importante, não existe clima”, disse o líder do PSB, Renato Casagrande (ES). No máximo, será autorizada a distribuição de “cartas-compromisso”, como já fez hoje um dos candidatos, Beto Albuquerque (PSB-RS).
Há uma avaliação entre líderes partidários de que houve excesso nas campanhas anteriores. Para piorar, a agência SMPB, de propriedade do publicitário Marcos Valério de Souza, esteve envolvida em algumas delas, produzindo material para João Paulo Cunha (PT-SP) em 2003 e para Luiz Eduardo Greenhalgh (PT-SP) em 2005. A necessidade de manter uma campanha “sóbria”, em respeito ao atual momento de crise, foi uma das razões apontadas pelos líderes na reunião, mas não a única.
Prevaleceu também a idéia de a Câmara dar o exemplo no momento em que está em tramitação na Casa uma proposta que reduz em muito os custos de campanhas políticas nas eleições do ano que vem. Batizada de “minirreforma política”, está atualmente na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara e tem de ser aprovada até o final da semana que vem para valer já em 2006.
Quanto ao debate, será transmitido ao vivo pela TV Câmara na véspera da eleição, terça-feira, às 18h. Todos os candidatos serão convidados, mesmo que isso signifique a participação de até 14 deputados federais. Às 10h de quarta-feira inicia-se o 1.º turno da votação, que é secreta e manual (em cédulas). Caso nenhum dos candidatos reúna a maioria dos votos válidos (que se dá pela exclusão dos nulos), há o 2.º turno, com início às 18h, entre os dois melhor colocados. São 513 votos possíveis.
Severino
O ex-deputado federal Severino Cavalcanti, que renunciou anteontem ao mandato, passou ontem por uma cirurgia no olho direito no Hospital Oftalmológico de Brasília. Ele e sua mulher, Amélia Cavalcanti, operaram de catarata. O ex-parlamentar, que tinha uma catarata considerada moderada, substituiu o cristalino por lentes multifocais, que permitem a visão de perto e de longe, sem o auxílio de óculos.
Segundo a assessoria do hospital, Severino e sua mulher, que sofreu a mesma cirurgia, deram entrada na sala de operações por volta das 8h30. A operação, realizada pelo médico Leonardo Akaishi, durou cerca de 5 minutos, e o casal permaneceu no hospital por cerca de 1 hora. Na semana passada, o casal passou pela mesma cirurgia, mas no olho esquerdo.
O casal tem uma revisão médica marcada para hoje, às 11h, quando devem ser liberados para viajar. Após a renúncia, o ex-deputado planejava viajar para Pernambuco. Segundo disse a colegas da Câmara, dezessete prefeitos do interior do Estado preparavam uma festa para recepcioná-lo em João Alfredo (PE), sua terra natal, na semana que vem.