Já foi o tempo em que DVD e câmera fotográfica digital eram sinônimos de inovação tecnológica. Atualmente, já estão presentes inclusive nas salas de aula de instituições públicas. A Secretaria Municipal de Educação, por exemplo, adquiriu vários desses eletroeletrônicos para utilizá-los em programas pedagógicos nas escolas de ensino fundamental e nos Centros de Educação de Jovens e Adultos (Ceja).
A compra finalizada neste mês, que também contemplou carências no segmento de eletrodomésticos, foi viabilizada com recursos do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério (Fundef), informa o diretor de Departamento de Unidade Escolar da Secretaria Municipal da Educação, Jair Sanches Vieira.
“Toda cidade investe 25% (de sua receita) na educação. Do total, 15% vão para o Fundef e retornam ao município (para ser aplicado no ensino fundamental). Estamos com uma série de projetos (na área de meio ambiente, por exemplo). Alguns aspectos precisam ser registrados. Existe a necessidade do material”, afirma. As palavras dele são reiteradas pela diretora da escola de ensino fundamental Dirce Boemer Guedes de Azevedo, Ana Maria Victal.
“Disputa”
Para ela, sem os recursos, fica difícil “disputar” os alunos com os atrativos do lado de fora dos muros escolares, especialmente em bairros carentes, onde a violência “rouba” a atenção. “Fica difícil trabalhar só com giz e lousa”, afirma.
Concorda com ela a diretora da Emef Santa Maria, Margareth Noemi Quirino, para quem o uso de eletroeletrônicos no processo de aprendizagem não é mais novidade. Há anos, os professores da escola utilizam na sala de aula especialmente rádio, além de televisão.
Os equipamentos também são velhos conhecidos nas escolas particulares. De três delas consultadas pela reportagem, todas já dispõem de DVD e câmeras digitais há pelo menos três anos. Já nas escolas estaduais, os equipamentos não são tão difundidos. De acordo com o que o JC apurou, mais de 50% delas contam com a tecnologia das câmeras digitais, adquiridas pela Associação de Pais e Mestres (APM) - que também recebe recurso do Estado.
Também comprados pela entidade, os aparelhos de DVD são mais raros. Estão presentes em 30% das 51 escolas estaduais de Bauru. Mas quanto mais acessíveis os eletroeletrônicos estiverem, melhor. A opinião é de uma aluna da 1.ª série do ensino fundamental, matriculada numa escola do município, que terá o nome preservado a pedido dos pais. “É mais legal se tiver. A aula fica menos chata”, conta a garota de 7 anos.
Ela nunca viu televisão, videocassete ou DVD onde estuda. O contato que teve com os aparelhos foi em âmbito pessoal, confirma a mãe.