Geral

Barriguinha eleva risco de enfarte

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Além de ofender a estética, a barriguinha é também inimiga do coração. Ela eleva o risco de uma pessoa sofrer enfarte. É o que revela estudo realizado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC). Os dados pesquisados pelo Projeto Corações do Brasil mostram que em uma população avaliada para a obesidade abdominal, de 1.239 pessoas com mais de 18 anos, apenas 30% das mulheres e 55% dos homens estavam dentro dos parâmetros recomendados.

Nos homens, a circunferência abdominal não deve ser superior a 94 centímetros. Nas mulheres, ela não deve ultrapassar os 80 centímetros. A apuração da medida padrão é simples. É só passar uma fita métrica no entorno da cintura e pronto: você terá o resultado. Depois, é só avaliar. Se a medida apontar acima do recomendado, o ideal é procurar um médico para análise mais apurada.

O excesso de gordura na região do abdome está diretamente relacionado com o aumento do risco cardiovascular, pois leva a uma série de alterações no organismo que podem contribuir para elevar as chances de o indivíduo desenvolver doenças cardiovasculares. A obesidade abdominal, porém, não é problema de saúde restrito ao Brasil.

Nos Estados Unidos, a prevalência da gordura do abdome em adultos com mais de 20 anos de idade é de 46% (homens, 37%; mulheres, 55%), de acordo com um levantamento publicado em 2004 no American Journal of Clinical Nutrition. Na Inglaterra, 29% dos homens e 26% das mulheres estão com excesso de gordura abdominal, segundo pesquisa divulgada em 2004 pelo UK National Diet and Nutrition Survey.

Considerada hoje pelos especialistas um medidor do risco cardiovascular mais relevante do que o Índice de Massa Corporal (IMC), vários estudos prospectivos demonstraram que a obesidade abdominal pode aumentar os níveis de colesterol ruim e resistência à insulina, além de elevar as taxas de triglicérides e reduzir o bom colesterol.

O estudo publicado em 1994 no American Journal of Cardiology já revelava que o tecido adiposo pode ser considerado um órgão endócrino, contribuindo diretamente para o risco cardiovascular ao secretar milhares de moléculas com efeito nos aspectos vasculares, metabólicos, inflamatórios e funcionais do sistema cardiovascular.

Para o médico cardiologista Luiz Carlos Bodanese, professor titular da Faculdade de Medicina da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUC/RS) e membro da Sociedade Brasileira de Cardiologia, o coração do brasileiro “sofre abalos”. “O estresse e a vida sedentária pioram a situação e levam à obesidade. A preocupação de hoje é o excesso de peso da população. Isso é quase uma pandemia, ou seja, um problema mundial”, explica.

Ele comenta que a medição da gordura abdominal é o início da apuração para se saber o estágio físico em que a pessoa se encontra. “Ela é o grande marcador do excesso de gordura visceral, que tem relação muito forte com o risco cardiovascular. Essa gordura predispõe ao enfarte. Só é superada pelo tabagismo.”

O diretor-executivo da Sociedade Brasileira de Cardiologia, Raimundo Marques do Nascimento Neto, explica que os dados revelados pela pesquisa do Projeto Corações do Brasil serão importantes para a definição de políticas públicas para a saúde. Além do problema da obesidade abdominal, o levantamento constatou que 13% da população faz uso diário de bebida alcoólica, 83% dos brasileiros são sedentários, 25% fumam e 14% das pessoas apresentam níveis de triglicérides acima do normal.

“São dados alarmantes que comprovam o por que o Brasil tem tantas mortes por doenças cardiovasculares, cerca de 300 mil por ano”, explica Nascimento Neto. Na avaliação dele, os números mostram uma urgente necessidade de mudança nas políticas de saúde pública, de assistência social, de projetos educacionais e de todo o processo administrativo social do País.

O grupo que coordena o Projeto Corações do Brasil fez uma proposta ao Ministério do Desenvolvimento Social, que cuida do Programa Fome Zero, para que seja implementado um programa denominado Fome Zero Coração Dez. O projeto está sendo avaliado pelo ministério.

Comentários

Comentários