Na hora de escolher um brinquedo, a turminha já vai direto aos eletrônicos, daqueles que “brincam sozinhos” e nem imagina a variedade de brincadeira que pode surgir a partir de bonecos de pano, fantoches, carrinhos de madeira, módulos de montar e uma infinidade de sugestões entre os considerados brinquedos educativos.
Antigamente, as pessoas construíam seus próprios brinquedos, então era comum todos os amiguinhos se juntarem para inventar novas atividades. Hoje, não é muito difícil encontrar lojas especializadas em brinquedos educativos, aqueles que estimulam a brincar.
De acordo com a Associação Brasileira de Brinquedos Educativos, cerca de 15% da venda de brinquedos envolve os educativos. A entidade avalia que nos últimos três anos o crescimento chegou a 300%. O interessante é que a maioria desses brinquedinhos é o mesmo que o vovô e a vovó fabricavam na infância, quando não existiam videogame, carrinhos eletrônicos, bonecas que falam, robôs e outras novidades tecnológicas.
Há 9 anos, Lucelena Mosquim é proprietária da Fantasia, uma loja especializada em brinquedos educativos, CDs e livros infantis em Bauru. Ela percebe o crescimento e comenta que as pessoas que procuram esse tipo de presente não buscam preço, mas qualidade no brincar. “Acho importante o resgate dos brinquedos artesanais. O legal é que temos desde brinquedos de R$ 1,50 até um prédio mais sofisticado, de madeira, todo mobiliado, por R$ 367,00.” Para Lucelena, o importante é estimular as variedades da brincadeira, pois no caso dos educativos depende de quem está brincando.
Lucas Rubin da Mota, 10 anos, é um consumidor desses brinquedos há muito tempo. “É legal porque a gente brinca e aprende. É você que inventa a brincadeira e não o brinquedo.” Aos 7 anos, acendeu em Lucas uma paixão por fantoches que persiste até hoje. “Tenho vários e sempre ganho novos. Gosto de inventar histórias, recontar as que li em livros. Aproveito para convidar os amigos para assistir às apresentações”, recorda.
Ele tem uma companheira de brincadeira que também curte os educativos chamada Vitória Marineli Gomide, 8 anos. Ela também tem uma variedade em pedagógicos, mas não esconde a preferência por sua casinha de madeira, com vários quartos, sala, cozinha, banheiro, escada e tudo o que uma casinha tem direito. Ao lado de Lucas, eles montam verdadeiras cidades e inventam muitas brincadeiras.
“Às vezes, até a gente escolher as peças, montar as casas, os brinquedos, a gente inventa tanto que o tempo passa e quando está tudo pronto chegou a hora de ir para casa embora”, lembra Lucas. “O mais legal é isso, ficar montando, escolhendo os brinquedos. Você inventa um monte de brincadeiras”, diz Vitória. O dominó vira restaurante, as peças do xadrez se transformam em personagens da casinha, que ganha decoração, sofá de bloquinhos e vários detalhes.
Vitória lembra o dia em que ganhou a casinha de madeira. “Eu sempre passava na loja e ficava olhando a casinha, pedia para meu pai comprar, mas com ele é assim: se eu não comer, não ganho presente.” Mesmo assim, ela teve uma surpresa. “Minha mãe disse que não tinha comprado a casinha, mas já estava em casa. Passei cinco dias grudada na casinha, até minha cachorrinha Lilica entrou nela.”
Para os pais, os brinquedos educativos servem para estimular a criatividade da garotada. “Eles viajam na brincadeira, desenvolve bastante a imaginação. É claro que vão curtir também os eletrônicos, mas não ficam direto na frente da televisão ou do computador só comendo. É uma brincadeira mais criativa”, salienta Teresa Cristina Rubin da Mota, mãe de Lucas.