Identificado nos pomares brasileiros em junho do ano passado, o greening, doença causada por uma bactéria e que afeta todas as variedades cítricas, foi detectado em Bauru pelo Fundo de Defesa da Citricultura (Fundecitrus). Na cidade a situação ainda não é alarmante, mas a doença tem avançado no Estado de São Paulo e preocupado o Fundecitrus.
Diante disso, o Fundo pediu o apoio do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) para o controle do greening. O contato com o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, foi feito pessoalmente pelo diretor-executivo do Fundecitrus, Osmar Bergamaschi, segundo informa a assessoria de imprensa da entidade. O ministro, por sua vez, teria prometido agendar uma reunião em Brasília nos próximos dias.
De acordo com o presidente do Sindicato Rural de Bauru e vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp), Maurício Lima Verde, não há dados oficiais sobre a presença do greening no município.
“A situação não está sendo divulgada como deveria. Embora tudo indique que em Bauru os estragos ainda não sejam de grandes proporções, é preocupante porque a doença acaba cerceando o crescimento da (cultura da) laranja”, observa.
A secretária municipal da Agricultura, Maria Eugênia Gracia, diz não ter informações sobre a existência de greening na cidade. Ontem, a reportagem não encontrou produtores de laranja para falar sobre o assunto. Na região de Bauru, a doença também já foi verificada em outras cidades, como Agudos, Avaré, Botucatu, Iacanga, entre outras.
De acordo com a assessoria de imprensa do Fundecitrus, em Bauru a presença do greening ainda é tímida. O foco da doença teria sido identificado por meio de testes laboratoriais feitos em amostras de plantas coletadas na cidade, que confirmaram a existência de plantas doentes.
Ainda segundo a assessoria, o total de municípios com propriedades contaminadas já chega a 80 no Estado. Cerca de 600 inspetores do Fundecitrus estão percorrendo as cidades paulistas para fazer o controle da doença e orientar os produtores sobre o problema.
Plano de ação
Durante a reunião com o ministro da Agricultura, o diretor-executivo do Fundecitrus apresentará os detalhes técnicos sobre a evolução do greening e qual é o plano de ação contra a doença traçado pelos especialistas da área.
“Com a descoberta de novos municípios contaminados, teremos que ampliar o nosso trabalho”, explica Bergamaschi. “Sem isso, não será possível fazer um controle adequado, pois o planejamento foi realizado quando tínhamos cerca de 50 municípios”, acrescenta.
Para o Fundecitrus, é preciso mais agilidade na inspeção, coleta e análise laboratorial, pois já estão aparecendo resultados positivos em fazendas que eliminaram as plantas doentes espontaneamente, antes mesmo da fiscalização da Secretaria Estadual de Agricultura começar.
Desde junho do ano passado, mais de 260 mil plantas doentes foram eliminadas no País. A meta é erradicar mais 300 mil árvores até fevereiro de 2006. “Se este número for alcançado neste período e a doença não progredir com grande rapidez, entraríamos numa nova fase de controle”, diz o gerente-científico do Fundecitrus, Juliano Ayres. A previsão é possível, porque a incidência da doença é muito baixa, ou seja, poucas plantas estão infectadas nos municípios.
• Serviço
Para participar dos treinamentos gratuitos que estão sendo oferecidos pelo Fundecitrus na sede de Araraquara ou agendar visitas em outras cidades, basta entrar em contato pelo telefone 0800-112-155, ou enviar e-mail para comunica cao@fundecitrus.com.br.
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A doença
O greening, também chamado de huanglongbing (HLB), é causado por uma bactéria e transmitido por um inseto vetor (o Diaphorina citri). Afeta todas as variedades cítricas e é considerada a doença de citros mais importante do mundo.
A doença causou grande prejuízo na China e na África do Sul, regiões em que está presente há anos. No Brasil, o greening foi identificado em junho de 2004 e afetou 3,4% dos talhões do Estado de São Paulo. A incidência no País é baixa, fato que facilita o controle imediato.
Os principais sintomas são ramos amarelados; folhas mosqueadas (manchas verde-claras ou amareladas); deformação, redução e queda de frutos; maturação irregular dos frutos; desfolha; seca e morte de ponteiros; manchas circulares verde-claras na casca do fruto; sementes abortadas e maior espessura da parte branca da casca.
Não há cura para o greening, por isso, é importante que o citricultor adote o controle rapidamente, que consiste em eliminar a planta doente assim que apresentar os primeiros sintomas para que não sirva de fonte de contaminação a outras plantas; não fazer a poda, pois a técnica não funciona para o greening; adquirir mudas sadias e fazer o controle do inseto transmissor. O controle do greening é lei.
Da Redação