Nacional

MST faz onda de invasões pelo País

Por José Maria Tomazela | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Sorocaba - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) desencadeou ontem uma escalada de invasões de fazendas e prédios públicos em todo o País para cobrar a reforma agrária prometida pelo governo Lula. As ações fazem parte da jornada nacional de lutas do chamado “setembro vermelho” e incluíram a ocupação de praças de pedágios nas regiões norte e oeste do Paraná.

Segundo balanço divulgado pelo movimento, foram invadidos 21 prédios do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), 8 agências do Banco do Brasil e 6 pedágios, além de 6 fazendas. A mobilização envolveu militantes de 19 Estados.

Para o MST, o governo não atingirá a meta de assentar 400 mil famílias até 2006, como prometeu. O movimento quer mais agilidade na desapropriação de terras, a vigência dos novos índices de produtividade, mais elevados que os atuais, abertura de novas linhas de crédito para os assentados, distribuição de cestas básicas e a reestruturação do Incra.

Foram invadidas sedes do Incra nos Estados de São Paulo, Ceará, Alagoas, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Maranhão, Pará, Minas Gerais, Santa Catarina, Sergipe, Rio de Janeiro e Pernambuco. A direção nacional do movimento informou que as ações são uma forma de chamar a atenção e protestar contra o não cumprimento de 7 pontos do acordo assinado no dia 17 de maio, em Brasília, no encerramento da marcha nacional pela reforma agrária.

Pontal

No Pontal do Paranapanema, extremo oeste de São Paulo, cerca de 300 militantes invadiram, de madrugada, a fazenda Ipezal, em Sandovalina. As terras pertencem ao presidente nacional da União Democrática Ruralista (UDR), Luiz Antonio Nabhan Garcia. Os sem-terra cortaram a cerca e montaram barracos numa área de pastagem.

Garcia disse que a ação foi uma provocação. “A fazenda tem apenas 366 hectares, é particular e produtiva.” A coordenadora do MST, Maria Aparecida Gonçalves, afirmou que a ação faz parte da luta “por terra e crédito”. Policiais civis e militares foram impedidos de constatar os danos na área. No início da noite, a Justiça concedeu liminar para o despejo dos invasores.

No Paraná, a jornada começou às 7h30, com a ocupação da praça de pedágio da BR-277,em Cascavel. Uma hora depois, outras 5 praças tinham sido ocupadas. O MST paranaense apóia o governo estadual contra a cobrança de pedágio no Estado. As cancelas foram abertas e os motoristas passavam sem pagar, entre as fileiras de sem-terra. As concessionárias recorreram à Justiça.

O presidente da Associação Brasileira de Concessionárias de Rodovias (ABCR), João Chiminazzo Neto, disse que a invasão das praças das praças ocorreu em razão da “certeza” de impunidade. A Polícia Militar esteve nos pedágios invadidos, mas os policiais limitaram-se a observar a ação dos sem-terra. O presidente da ABCR disse que a falta de ação policial foi mais uma “arbitrariedade” do governo estadual. As praças foram desocupadas a partir das 17 horas. Numa delas, foram depredadas câmeras de vídeo. A Secretaria de Segurança Pública no PR divulgou nota informando ter agido de forma “imediata” para desocupar os pedágios.

No Rio Grande do Sul, foram invadidas três fazendas e um prédio público. A Bom Sossego, com cerca de mil hectares, no município de Palmeira das Missões, a 368 km de Porto Alegre, foi ocupada por 250 famílias. A propriedade pertence ao ex-presidente da Copalma, a cooperativa local, Ari Paulo Huning. Em Santana do Livramento, a 488 km da capital, 400 famílias invadiram uma área arrendada pela cervejaria Brahma.

A invasão de terras pertencentes ao Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer) da Secretaria Estadual de Transportes foi protagonizada por um grupo de trabalhadores desempregados da indústria calçadista, que estaria buscando o retorno às origens rurais. Numa ação solidária ao “setembro vermelho” do MST, cerca de 250 integrantes do Movimento dos Trabalhadores Desempregados (MTD) invadiu o prédio da Delegacia Regional do Trabalho (DRT) em Porto Alegre. O objetivo seria cobrar frentes emergenciais no Estado.

Na capital sergipana, os sem-terra ocuparam de manhã a sede da superintendência estadual do Incra. O Estado tem 12 mil famílias acampadas e 6 mil assentadas. Em Minas Gerais, 1.500 famílias invadiram a fazenda São Miguel, de 45mil hectares, entre os municípios de Una e Buritis, em Minas Gerais, e Cabeceiras, no Estado de Goiás. De acordo com a coordenação nacional, as manifestações prosseguem pelo menos até o fim do mês.

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