O presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário (Sindtran), Elias Pinheiro da Silva, foi preso ontem, em Araçatuba (SP), junto com outros quatro diretores da entidade, acusado de extorquir representante de uma empresa daquela cidade. A Polícia Militar vinha investigando a denúncia de extorsão há pelo menos um mês. Ontem, Elias e os membros da direção do sindicato foram flagrados recebendo um total de R$ 60 mil em envelopes. Os sindicalistas negam a acusação.
Conforme um representante da empresa de Araçatuba, que pediu para não ser identificado, Elias Pinheiro da Silva se reuniu para tratar da suposta chantagem em um restaurante da cidade. A operação foi acompanhada por vários policiais militares e a entrega dos valores que teriam sido exigidos em dinheiro foi feita com gravação em vídeo.
Foram presos, além de Elias Pinheiro, o integrante do conselho fiscal da entidade, Paulo Henrique Del Rey, o secretário, João Antonio Pazoni, o segundo-secretário, Mário Aparecido Henrique, e o diretor financeiro do sindicato, Benedito Donizete da Silva, conforme apuração feita junto à polícia de Araçatuba pelo repórter Sérgio Guzzi, do jornal Folha da Região.
O representante da empresa disse que foram vítimas de extorsão como condição para que os sindicalistas não tomassem providências em relação a questões trabalhistas. A empresa também teria sido ameaçada com ações visando movimento grevista caso não fosse paga a quantia em dinheiro gravada em flagrante pela polícia, ontem.
Os cinco membros do Sindtran permaneceram presos na cela do Plantão Policial, desde ontem à tarde. Conforme o apurado pela Folha da Região, os sindicalistas passaram a ameaçar a empresa sediada em Araçatuba, mas com filial em Bauru, depois que ocorreu uma terceirização de serviços. Segundo a reportagem do jornal de Araçatuba, os sindicalistas teriam pedido um pagamento inicial de R$ 80 mil em troca de não iniciarem movimento junto aos trabalhadores em razão de demissões provocadas pela terceirização.
A Polícia Militar, menciona o representante da empresa considerada vítima de extorsão, iniciou apuração, há algumas semanas, de contatos mantidos, por telefone, do presidente do Sindtran. Nos telefonemas, o valor da quantia exigida em dinheiro teria sido reduzido para R$ 60 mil.
Elias Pinheiro recebeu, conforme a denúncia, dois envelopes contendo, cada um, R$ 10 mil em notas de R$ 50,00. Os demais sindicalistas receberam, cada um, envelopes também com R$ 10 mil em cada unidade. Os sindicalistas foram presos em flagrante por policiais militares logo após deixarem o restaurante onde foi realizado o encontro.
A reportagem da Folha da Região levantou que, conforme o titular da Delegacia de Investigações Gerais de Araçatuba (DIG), Rodolfo Carlos de Oliveira, foi lavrado auto de flagrante. Se condenados, os denunciados podem receber penas que vão de quatro a dez anos de reclusão.
Ouvidos pela Folha da Região, os acusados negaram que tivessem praticado tentativa de extorsão. Os sindicalistas disseram que foram até Araçatuba levar documento do sindicato que tratava da diminuição do quadro de funcionários da empresa. Eles alegam terem sido vítimas de uma armação.