Regional

Rurais denunciam más condições de trabalho

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Um grupo de trabalhadores rurais parou suas atividades por cerca de uma hora anteontem para protestar contra as más condições de trabalho, segurança, salário e jornada, às quais teriam sido submetidos no corte da cana na região.

As reclamações foram ouvidas por um representante da Federação dos Empregados Rurais Assalariados no Estado de São Paulo (Feraesp), Eduardo Porfírio, que esteve presente na Fazenda São Domingos, em Areiópolis (65 quilômetros de Bauru), onde os trabalhadores relataram as supostas condições precárias de serviço.

Eles alegaram que a jornada de trabalho é desgastante e que alguns chegam a trabalhar até as 20h, quando o normal é encerrar o serviço às 15h40. Os trabalhadores disseram também que não estão recebendo pelas horas-extras.

Outra irregularidade apontada por eles ao representante da Feraesp é a falta de equipamento de proteção individual (EPI), como luvas, caneleiras e botas, que estaria sendo fornecido pela empresa a cada dois meses, quando o correto é entregá-los mensalmente. O mesmo estaria acontecendo com os facões, a principal ferramenta de trabalho no corte da cana.

Foi denunciado ainda que o valor pago por hora de trabalho seria inferior ao que está estabelecido no acordo coletivo da categoria. Entre outras reclamações, os trabalhadores denunciam também condições precárias no alojamento. Eles relataram que precisam esperar horas para tomar banho (frio) por causa da grande quantidade de pessoas no mesmo alojamento. Em uma das residências estariam vivendo 35 trabalhadores. A maioria veio do Estado de Minas Gerais e está alojada em casas no distrito de Potunduva, em Jaú.

Eles trabalham para empreiteiras de mão-de-obra, que vendem cana cortada para as empresas Zillo Lorenzetti, proprietárias das usinas São José, de Macatuba, e Barra Grande, de Lençóis Paulista.

Empreiteiro nega

O empreiteiro Valdecir Lopes, principal responsável pela contratação dos trabalhadores mineiros alojados em Potunduva, também acompanhou o protesto dos cortadores de cana, anteontem.

Muitas das denúncias feitas foram rebatidas por ele. Lopes concordou, com a reclamação de que a empreiteira vinha pagando um valor por hora trabalhada abaixo do que foi estabelecido em acordo coletivo da categoria. No entanto, faz ressalvas.

Ele alega que desde maio a empresa vinha pagando o valor definido no dissídio coletivo de 2004 porque o dissídio deste ano só foi protocolado no Ministério do Trabalho em agosto último. Após a definição do novo valor (R$ 1,74 por hora), a empresa adiantou que irá fazer um cálculo dos valores que deixaram de ser pagos desde maio e incluirá a diferença na folha de pagamento de outubro.

Quanto aos equipamentos de proteção individual (EPI), Lopes afirmou que está tudo em ordem. Segundo ele, as luvas, caneleiras e botas são fornecidas regularmente, assim como o facão e a lima. O único item que, na opinião dele, será insuficiente em um mês de trabalho é o facão. “Vou estudar a possibilidade de fornecer dois por mês”, disse.

Sobre a denúncia de que cortadores de cana estariam trabalhando além do horário, sem pagamento das horas-extras, o empreiteiro argumentou que os próprios trabalhadores procuram trabalhar mais, porque quanto mais trabalham mais recebem.

“Eu não vou dizer que a turma nunca passou das 15h40. Teve dias que eles ficaram cortando cana até 16h ou um pouquinho mais, mas nunca passaram das 16h30”, declarou.

Quanto às condições do alojamento, Lopes disse que a empreiteira se compromete apenas a contratar uma pessoa para passar nas casas e ver se tudo está em ordem.

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