Aos 66 anos, a professora aposentada Myriam Elza Campos Zecchi Rodrigues admite que se candidatou à reeleição a uma vaga no Conselho Gestor da unidade de saúde da Vila Ipiranga, na zona oeste da cidade, apenas porque os responsáveis pelo posto estariam encontrando dificuldades para “fechar” uma chapa completa na parte dos usuários.
“Já faz quatro anos que estou aqui debatendo os problemas deste posto e gostaria que surgissem novos interessados. Eu não queria (ser candidata), mas insistiram e eu me inscrevi”, diz a aposentada, que avalia positivamente a atuação do conselho gestor que integra. “Fazemos reuniões mensais e quando é preciso encaminhamos as reclamações”, justifica.
Apesar de se considerar conhecida e respeitada pelas pessoas que freqüentam a unidade, Rodrigues admite que poucos usuários a procuram para fazer reclamações. “Aqui quase não temos queixa, um pouco porque o posto é bom, mas também porque a comunidade não está envolvida”, critica. Por isso, a aposentada diz que não perde uma oportunidade para incentivar a participação dos usuários.
Apesar de integrar um dos “braços” de controle social da política pública na área da saúde, Rodrigues diz que prefere encaminhar as reivindicações dos usuários da Vila Ipiranga diretamente à Secretaria da Saúde ou até mesmo ao prefeito. “Se for preciso, até brigo com eles”, orgulha-se.
A afirmação revela que a aposentada praticamente ignora a instância superior deste sistema de controle, o Conselho Municipal de Saúde (CMS), órgão definido por lei como o canalizador das informações e reivindicações colhidas nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs) pelos conselheiros gestores. “Acho que (o CMS) não funciona”, justifica.
Myriam Rodrigues diz que se tornou conselheira gestora apenas porque “gosta de ajudar as pessoas”, rejeitando qualquer benefício político que o cargo possa proporcionar. “Já me convidaram para ser candidata a vereadora, mas não quero saber desse negócio de política e partidos. Minha atuação na pastoral social (da igreja) me despertou a vontade de ajudar as pessoas”, explica.
Sua ligação com a política, no entanto, é inevitável. Ela conta que na última campanha eleitoral conversou “com todos os candidatos a prefeito” para saber o que “eles pensavam” para a área da saúde pública. Por outro lado, Rodrigues diz que também foi procurada por diversos candidatos a vereador que buscavam apoio político junto àquela comunidade. “Sem querer, me tornei uma líder”, diz, orgulhosa.