Bolsas são como gavetas: guardam documentos, maquiagem, celular e objetos importantes para o dia-a-dia de toda mulher. Exatamente por serem fundamentais, elas estão se tornando o centro das atenções da indústria e dos estilistas, que cada vez mais investem em modelos criativos, priorizando conforto, praticidade e beleza.
Nos últimos anos, a tecnologia uniu-se a esse mercado, garantindo peças que se destacam pela diversidade na escolha dos materiais, cores, tecidos e padronagens. E a boa notícia não pára por aí: foi-se o tempo em que as cores das bolsas precisavam combinar com as das roupas, cintos ou sapatos para fazer uma produção elegante, aponta Chang Chih An, diretor comercial da fábrica de bolsas Chenson no Brasil, que fornece acessórios para dez países do mundo.
“Antigamente as brasileiras eram reservadas em relação à moda, tinham receio de serem notadas como diferentes e compravam cores que não davam destaque, diferentemente dos Estados Unidos ou Japão, onde cada mulher quer ser mais diferente do que a outra”, informa.
Esse jeito de ser, segundo o executivo, está mudando no Brasil. “Agora, cada uma quer ter sua própria identidade e com isso as mercadorias mais ousadas estão saindo mais. Os tons de preto e marrom escuro em couro permanecem, mas os modelos coloridos, como o verde, rosa, azul, amarelo e laranja estão sendo mais vendidos”, avalia Chih An.
Aproveitando essa mudança de comportamento das consumidoras brasileiras, as indústrias investem em uma cartela de cores democrática para as bolsas da coleção primavera/verão 2005/2006, destaca José Luís Romão, modelista de bolsas e artefatos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Jaú, centro que pesquisa de tendências de moda no País.
Básicos, os tons de branco, marfim, preto e marrom continuam em alta, mas dividem a cena com os verdes e rosas secos, que chegam com pitadas de marrom café, observa Romão. Outro destaque fica por conta dos tons de azul e do marinho aquático, traduzindo a calmaria dos mares oceânicos.
Entre os tamanhos e modelos, a ordem é eclética: desde as shopping bag (tipo sacolas) até as carteiras com alças opcionais, há modelos para todos os gostos e produções: as de mão (pequenas e médias), baguetes, transversais, a tiracolo e niqueleiras (especiais para a balada).
Os materiais também são ecléticos e, embora o couro ainda ocupe o primeiro lugar no ranking das peças mais vendidas, as bolsas sintéticas, em tecido, lona e palha começam a encantar as consumidoras.
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Estampas
Valorizando a cultura nacional, as estampas trazem motivos brasileiros - entre eles santos, bandeira nacional e pele de animais (croco, cobra e tilápia) - além de aspectos rústicos, revela José Luís Romão, modelista de bolsas e artefatos do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai) de Jaú. “A mistura do industrial com artesanato é uma coisa muito forte hoje”, afirma.
Nessa linha, os materiais naturais, como a palha, reinam absolutos. Descontraídas, elas chegam com detalhes sofisticados, bordados e alças coloridas. São perfeitas para acompanhar saias, vestidos e blusinhas fluídas, destaca Chih An. “E não apenas para usar na praia, a bolsa de palha fica bem no dia-a-dia, para ir aos supermercados e shoppings centers”, diz.
Inspirados no estilo hippie dos anos 70 e no psicodelismo nos anos 80, as estampas coloridas e arabescos são hits e voltam com cores vivas e linhas românticas.
Outra tendência são as peças vintage, com cara dos “tempos da vovó”, que trazem fechos de metal usados nas niqueleiras dos anos 60. “A costura manual, apliques de flores, alça redonda e roletês também funcionam nessa linha”, ressalta Romão.
Seguindo a tendência retrô, o ouro, em especial o ouro velho, é o destaque da estação. Servindo como base ou decorando fechos, fivelas, tachas ou alças das bolsas, o material é sinônimo de glamour e sedução. Se combinados com os tons de terra, ganham ares de produção rústica ou étnica. Se associados a tecidos cru ou marfim, primam pela elegância e arrasam na linha clássica.