Economia & Negócios

Obras garantem fôlego ao DI 3

Lilian Venturini
| Tempo de leitura: 5 min

Ele é o mais novo dos três e em pouco tempo pode se tornar a menina dos olhos para empresas e indústrias de Bauru e região. Inaugurado há 11 anos, o Distrito Industrial (DI) 3 é a área mais recente de ocupação industrial da cidade. Além da localização geográfica, obras nas proximidades e planos de desenvolvimento procuram tornar a região uma opção viável e atraente para novas instalações.

Atualmente, dez empresas ocupam parte dos 188 mil metros quadrados do distrito. Até 2006, ao menos outras quatro devem começar a funcionar. Localizado na zona norte de Bauru, às margens da rodovia Bauru-Marília, o DI 3 ainda não está totalmente completo.

A expectativa é que mudanças já visíveis em suas proximidades e as prometidas pela administração pública impulsionem a região. Entre elas estão a duplicação da rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília), iniciada há um ano, e o novo aeroporto.

“Essas obras podem trazer desenvolvimento (para o distrito). O acesso deve melhorar e este ponto vai se desenvolver muito com o aeroporto”, acredita Armando Volpe Júnior, gerente comercial de uma revendedora de caminhões e ônibus.

Aliado a elas, projetos antigos também aumentam as possibilidades de crescimento. A construção de um pavilhão de feiras e exposições nas antigas instalações da Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e o prolongamento da avenida Nações Unidas até a rodovia Bauru-Marília seriam alguns deles.

“Com o prolongamento, o DI 3 estará a 4.500 metros do Centro da cidade. Será o mais perto do novo aeroporto e da Eadi (Estação Aduaneira Interior). Do ponto de vista geográfico, será o melhor distrito da cidade”, considera o conselheiro e coordenador do grupo de infra-estrutura do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Domingos Malandrino.

Na última terça-feira, a prefeitura municipal anunciou ainda a autorização para instalação de uma estação elevatória de esgoto no distrito.

A medida, de acordo com a administração, atenderia as empresas atuais e seria um incentivo a novos interessados, já que não mais precisariam construir fossas sépticas para dar destino correto ao esgoto. “Isso valorizaria o distrito”, acrescenta Wilson Graminha, proprietário de uma distribuidora de produtos alimentícios localizada no DI 3.

Mesmo sem estas ações, empresários daquela região já registram bons resultados, causados, dentre outros motivos, pela localização geográfica do DI 3. Graminha, por exemplo, comemora aumento de 30% nas vendas após apenas um ano no novo endereço.

“Escolhemos aqui pelo acesso à rodovia. Com isso ganhamos agilidade”, lembra. Assim como ele, o gerente comercial Armando Volpe também está satisfeito. Há quatro anos no distrito, a empresa em que atua será ampliada em 1.200 metros quadrados para atender a clientela.

Conseqüências

Para Malandrino, as melhorias e inovações seriam relevantes não apenas para o DI 3. A comunidade próxima a ele também sentiria os reflexos. “Seria algo parecido com o que aconteceu com a avenida Getúlio Vargas (quando foi ampliada). Melhoraria o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) daquela região porque geraria empregos em um local com sérios problemas sociais”, ilustra.

Segundo ele, o DI 3 teria capacidade para abrigar entre 20 e 50 novas empresas, dependendo do tamanho. Além de valorizarem a região, o maior número de indústrias aumentaria a riqueza do município. “É uma pena que o DI 3 seja pequeno porque hoje ele tem condições bastante favorecidas”, diz o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Walace Sampaio.

Na prática

As benesses provenientes dessas medidas parecem garantidas ao DI 3, ao menos nas expectativas dos entrevistados. O prazo de quando elas chegam, porém, é incerto. A duplicação da rodovia e o novo aeroporto, de acordo com as previsões, devem ser entregues em meados de 2006. Já sobre o pavilhão de exposições, o prolongamento da Nações Unidas e a construção da estação elevatória de esgoto ainda pairam interrogações.

Segundo o titular da SDE, a construção da estação e o prolongamento da avenida dependem de verbas. “A prefeitura está buscando recursos em níveis estadual e federal. Ainda não há previsão para começarmos”, explica. A viabilização do pavilhão, por sua vez, dependeria apenas de autorização da cessão da área pelo governo estadual.

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Problemas

Dos 188 mil metros quadrados do Distrito Industrial 3, situado às margens da rodovia Bauru-Marília, cerca de 50% já estão ocupados por empresas da cidade e região. Ainda assim, o local não oferece infra-estrutura completa aos empresários. As principais necessidades seriam iluminação pública, rede coletora de esgoto e a falta de horários de ônibus coletivos para os funcionários.

“Estou muito satisfeito aqui, mas alguma coisa sempre falta, infelizmente”, conta Wilson Graminha, proprietário de uma distribuidora de produtos alimentícios. “A iluminação pública é precária e falta segurança”, acrescenta Armando Volpe Júnior, gerente comercial de uma revendedora de caminhões e ônibus.

O anúncio da autorização da construção da estação elevatória de esgoto no início desta semana pode representar ao menos o início da resolução de parte dos problemas. Já a iluminação dependia do fim do impasse do pagamento de dívidas com a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). Na última quinta-feira, as partes assinaram um acordo, que possibilita a instalação de novos pontos de luz.

Além das questões estruturais, empresários chamam atenção para a falta das escrituras das áreas doadas. Sem elas, as empresas podem ter dificuldades para conseguir financiamentos ou comprovar existência.

Segundo o titular da Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SDE), Walace Sampaio, os documentos serão entregues assim que a secretaria refizer o projeto de ocupação do distrito, alterado por causa das obras da rodovia Bauru-Marília. Não há previsão para entrega.

Problema parecido ainda é enfrentando pelo DI 1, onde 40 empresas, das 111, aguardam o documento. Já no DI 2, as empresas que teriam direito já receberam as escrituras, de acordo com a SDE.

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