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Exportações vão dobrar no governo Lula, diz Furlan

Folhapress
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São Paulo - O ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) afirmou hoje que as exportações vão dobrar durante o período de quatro anos do governo Lula. Em 2002, último ano do governo FHC, as exportações atingiram US$ 60,3 bilhões. Segundo afirmou Furlan, “bem antes do final de 2006'’ as vendas ao Exterior já deverão somar mais de US$ 120 bilhões em um período de 12 meses. Hoje o ministro deve elevou a meta de exportações neste ano dos atuais US$ 112 bilhões para US$ 117 bilhões.

Para o governo, a atual meta de US$ 112 bilhões deve ser ultrapassada porque no acumulado dos últimos 12 meses as exportações já superaram esse valor. Como as vendas ao Exterior têm se mantido em alta há vários meses, Furlan acredita ser possível atingir uma meta mais ousada. Neste ano até a semana retrasada, as exportações somaram US$ 84,424 bilhões. Já o superávit comercial acumula US$ 31,889 bilhões, resultado muito próximo ao recorde alcançado em todo o ano passado (US$ 33,696 bilhões).

O crescimento das exportações costuma ser atribuído por economistas especializados em comércio exterior à conjuntura global favorável. Com o forte crescimento dos países desenvolvidos e também de emergentes como a China, a Índia e a Argentina, empresários brasileiros têm encontrado maior facilidade para colocar produtos no mercado internacional.

Para Furlan, entretanto, incentivos e orientações dadas pelo governo a pequenas e médias empresas com o objetivo de transformá-las em exportadoras levaram ao resultado positivo. “Todo o esforço de capacitação nos diversos encontros de comércio exterior está concentrado na pequena e média empresa’’, disse o ministro. Ele também destacou a conquista de novos mercados. “Países onde o Brasil não tinha presença, era totalmente desconhecido, hoje passam a comprar produtos brasileiros’’, afirmou.

China

Recém-chegado de viagem à China, o ministro do Desenvolvimento confirmou ontem que vai regulamentar as salvaguardas contra o país asiático. Embora as salvaguardas já tenham sido aprovadas pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), a regulamentação ainda não foi publicada no “Diário Oficial” da União para garantir margem de negociação na viagem durante a semana passada.

Os governos de ambos os países tentaram fechar auto-restrições por parte da China em setores considerados sensíveis ao Brasil como calçados, têxteis, brinquedos, entre outros, mas nenhum acordo foi feito. Em almoço ontem no Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Furlan fez críticas veladas aos chineses.

A uma platéia de cerca de 80 empresários, o ministro saudou o secretário de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Armando Meziat, que comandou a missão à China, afirmando: “Meziat vindo de uma batalha chinesa na semana passada... a pele vai ficando mais dura de tanto levar pancada”.

Segundo o ministro, a falta de consenso a respeito de alguns detalhes e o tempo curto foram responsáveis pelo fracasso nas negociações. Ele evitou, no entanto, fazer comentários sobre as negociações e sobre o que impediu o acordo com chineses. Segundo Furlan, nos próximos dias os governos brasileiro e chinês devem trocar propostas por escrito com vistas a chegar a um acordo sobre as auto-restrições. “A partir daí, dirimindo algumas dúvidas, podemos dar o primeiro passo”, afirmou.

Mesmo parte dos empresários paulistas que antes tinham adotado uma postura mais contemporizadora em relação às negociações com a China elevaram o tom e pediram a regulamentação imediata das salvaguardas. O diretor de Comércio Exterior do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Humberto Barbato, afirmou que espera para o “mais rápido possível” a publicação dos decretos.

“Isso agora é fundamental para que a gente possa efetivamente tomar medidas claras para proteger determinados setores que estão à beira de quebrar”, afirmou. Barbato citou os setores de calçados, brinquedos, alto-falantes, baterias, têxteis e porcelanas como setores mais prejudicados.

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