Tribuna do Leitor

BATMAN E ROBINHO


| Tempo de leitura: 4 min

Santo apocalíptico Parque Vitória Régia, Batman! À espreita do fétido, abandonado e histórico anfiteatro, rastreio no negrume da noite, nas nuvens, o semáforo do homem-morcego! Não há! Aqui não é Gothan City, inexiste imaginação!

O marco postal da avenida Nações Unidas fez-me um dia correr em sua volta com uma roupa verde-oliva, com um fuzil à mão gritando palavras de ordem por livre e espontânea pressão do nosso sargento Valezi!

Como era feliz e não sabia, não é Drummond? O monumento inigualável de Jurandyr Bueno já me fez comemorar gols do Brasil nas copas de 82, 86 e 90! Chorar por alegrias e tristezas com os desfiles da Cartola! As escadarias da arena Vitória Régia, outrora, inspiraram-me os mais arrebatadores e dízimos periódicos beijos e como em todas escadarias fiz juras e promessas de amor! Eu? Reflexivo? Saudoso? Nostálgico? Melancólico? Não entendo e nem compreendo! O cartão-postal é póstumo! Sem Limites para findar-se!

Os acordes do “Vitória Rock” não soam como antes. Os brinquedos e sonhos das crianças foram vitimados por vândalos. Há raríssimos atletas no crepúsculo da tarde. As orquestras e corais andam desconcertados como nos confidenciou um dia Luís de Camões em “Esparsa - Ao desconcerto do mundo”.

Até a árvore de Natal de um supermercado abandonou-nos! Dizem que o açúcar está caro e o pão, amanhecido! Poderá Batman salvar nossa pseudocidade? Dizem que os nostálgicos e sonhadores esperam o impossível de se esperar! Penso ser difícil, para não dizer impossível, ouvir a banda no coreto da matriz e ver os jacarés da praça Rui Barbosa!

Não vislumbro como voltar a flertar as meninas na rua Batista de Carvalho em frente às lojas Americanas, onde até o cachorro-quente não é mais o mesmo! No entanto, por que lembramos o passado? Por que exposição de carros antigos? Por que a seleção do tri no México vive num pedestal? Por que o show dos Rolling Stones já dá o que falar?

Por que as pessoas voltam tanto no tempo? Por que o “Túnel do Tempo”, não é, Márcio Augusto? Há noventa e seis razões? Por que temos saudade? Será que existem respostas? Qual é, na verdade, o meu, o nosso tempo? Afinal, para Cazuza, “o tempo não pára”!

Prefiro pensar que o tempo não pára para respostas, ele não tem tempo! Não há mais troca de olhares, de visitas, de receitas de bolo, do salpicão da vó pelo bolo de fubá da tia, quem comeu o último biscoito da Padaria Cidinha? Não existem mais rios com lambaris, viraram pesque-pagues. O campinho de traves tortas virou escolinha de futebol. Tomar chuva e “surfar” na enxurrada dá gripe ou resfriado. Sei lá, e se persistirem os médicos, os sintomas deverão ser consultados, não é, Tom Zé?

Os “irmãos Coragem” não têm coragem de dizer que viraram avós! “A Feiticeira” virou “Bruxa de Blair”, “Os Três Patetas” estão desempregados. Não há circo, nem pão! O “Vigilante Rodoviário” foi terceirizado por radares. O “Nacional Kid” tornou-se um qualquer “Mon”. “O Gordo e o Magro” foram, respectivamente, para um SPA e para um rodízio, onde se ganha o pão e se come a carne.

E que fim levou o Robin? Sim, pois Batman sempre aparece e reaparece solitário! Teria Robin caído de um prédio e sido entrevistado pelo “Cidade Alerta”? Teria nosso menino prodígio cansado de ser a segunda voz e se lançado numa carreira solo, ou quiçá, subsolo?

Entretanto, dizem que seminovos e usados podem equivaler a velhos! Não Robin, mas outro menino prodígio, Robinho! Seria ele uma versão “flex power” de Pelé? Segundo os espertos em futebol ou esporte bretão, lembra, bem de longe, Garrincha! Às vezes, possui lampejos de Pelé!

A verdade é que Robinho é um pouco de tudo de nós. Robinho é o moleque que quebrou a vidraça da vizinha, mas num chute com efeito! Robinho é o cara que meteu o dedo indicador no bolo da noiva. Robinho é o pestinha que tocou campainha e correu. Ele é o guri que roubou manga do mais sisudo vizinho. Robinho é a alegria que todos têm vergonha de assumir! Robinho é o sorriso dos pais que, aos domingos, vão ao excelente teatro infantil do Sesc e olham para os lados antes de sorrir! Robinho é o futebol e a vida românticos, pena que ele é “Real”, deixou de ser “Santos”, logo ele, que tinha tudo para ser canonizado! Mas tudo bem, pedala, Robinho! Afinal, o Natal está aí e “não se esqueça da minha Caloi”! Santas saudades de Batman e Robinho, professor Meira! (Prof. Sinuhe Daniel Preto - RG 10.981.715-1)

Comentários

Comentários