Economia & Negócios

Greve dos bancários diminui, mas lotéricas continuam cheias

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

A adesão à greve dos bancários em Bauru teve uma queda ontem, passando de 26 agências bancárias fechadas na última sexta-feira para 20 unidades. Ao todo existem 44 agências na cidade. Pelo levantamento do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, no momento cerca de 50% dos 2 mil trabalhadores da categoria estão parados. Mas mesmo com a queda da adesão, as casas lotéricas continuam registrando movimento intenso de clientes, principalmente para pagar contas e boletos bancários.

Segundo o diretor do sindicato Marcos Silvestre, ontem à noite a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) marcou uma reunião de negociação com representantes da categoria, mas não foi possível obter informações até o fechamento desta edição. Em função disso, hoje à noite os trabalhadores farão, em Bauru, uma assembléia para discutir e avaliar a reunião feita com a Fenaban.

“A orientação para todos os sindicatos é de continuar a greve nesta terça-feira, porque os rumos do movimento só serão definidos após a realização das assembléias de avaliação. Mas posso adiantar que, para a categoria decidir de imediato pelo fim da greve, será preciso que a Fenaban aceite todas as nossas reivindicações, principalmente a do reajuste salarial de 11,77%”, adianta Silvestre.

Ainda segundo ele, é normal que após finais de semana e feriados a adesão à greve tenha um enfraquecimento. Além disso, ontem os bancos Banespa Santander e Itaú conseguiram na Justiça decisão favorável para o pedido de liminar de interdito proibitório, que visa a preservação do patrimônio físico e a manutenção da posse das agências.

O mesmo instrumento está sendo utilizado pelo Bradesco desde o início da greve, no último dia 6. “Isso é uma injustiça com o trabalhador, porque o interdito não tem nenhuma relação com o movimento grevista. O problema é que, com essa liminar, o banco nos impede de ficar em frente às agências e, ao mesmo tempo, ligam na casa dos funcionários pedindo para eles voltarem ao trabalho”, acusa o sindicalista.

No País, balanço divulgado ontem pela Confederação Nacional dos Bancários (CNB) apontava a adesão à greve da categoria em 25 Estados mais o Distrito Federal.

Lotéricas

Carlos Augusto Carnelossi, proprietário de uma casa lotérica localizada na avenida Rodrigues Alves, diz que desde o início da greve a procura por serviços oferecidos pelo estabelecimento está bem acima no normal. Na avaliação dele, ontem o movimento na casa estava cerca de 30% superior ao de outras segundas-feiras.

“Tem muita gente, principalmente pessoas idosas, que não sabem ou não têm o hábito de usar os caixas eletrônicos dos bancos. Então, essas pessoas estão usando mais as casas lotéricas para pagar contas (água, luz, telefone), boletos bancários de até R$ 500,00, fazer depósitos (de no máximo R$ 500,00 em dinheiro) e saques (máximo de R$ 1.000,00, se houver dinheiro suficiente na lotérica)”, afirma o comerciante.

Para dar conta de todo serviço frente ao aumento da demanda, as três máquinas da lotérica estão operando sem interrupção. “Normalmente, na hora do almoço ficam duas funcionárias operando as máquinas. Desde que começou a greve, as três máquinas estão funcionando o tempo todo”, observa Carnelossi.

A aposentada Maria Aparecida Silva diz que, na última sexta-feira, foi em uma lotérica para pagar contas e sacar dinheiro. “Eu não sei usar o caixa eletrônico, então, saquei o dinheiro na lotérica e já aproveitei para pagar umas coisinhas.”

Luiz Fernando de Sousa, dono de uma lotérica no Centro da cidade, também confirma o aumento de serviço no estabelecimento desde o início da greve dos bancários. “Tem muita gente nos procurando para sacar seguro-desemprego, bolsa-família e outros benefícios. As quatro máquinas (do estabelecimento) estão operando sem parar para atender os clientes. Infelizmente, as filas têm sido inevitáveis.” Nos caixas eletrônicos dos bancos o movimento de clientes também têm sido intenso.

A categoria decidiu entrar em greve por tempo indeterminado como forma de pressionar a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban) a atender as reivindicações da pauta dos bancários. Eles pedem reajuste salarial de 11,77%, mais participação nos lucros e resultados (PLR) equivalente a um salário integral, mais uma parcela fixa de R$ 788,00 e 5% do lucro líquido dos bancos.

A proposta da Federação Nacional dos Bancos é de reajuste de 4%, mais um abono de R$ 1.000,00 (parcela única) e PLR de R$ 788,00, mais 80% do salário individual dos funcionários.

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