Rio de Janeiro - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que não tomará atitudes “populistas” e “irresponsáveis” em 2006, influenciado pelo “processo eleitoral”. Ele criticou ainda opositores, que torcem para as “coisas não darem certo” em seu governo: “Vocês não sabem o que é urucubaca”!
Durante lançamento de licitação para a construção de 42 petroleiros da Transpetro (subsidiária da Petrobras), em Niterói (13 quilômetros do Rio), Lula afirmou que o “País está vivendo um de seus melhores momentos” ao ingressar num “círculo virtuoso” que, segundo ele, perdurará por até 15 anos, com crescimento econômico, de emprego e renda.
A despeito do prognóstico positivo, Lula criticou os opositores por “torcerem” contra seu governo e minimizarem suas ações. Para ilustrar, recorreu novamente a uma metáfora futebolística: “Vocês não pensem que a coisa é fácil. Tá cheio de gente torcendo para as coisas não darem certo...Vocês já viram um torcedor do Flamengo querer que o Vasco ganhe? Vocês já viram um torcedor do Vasco querer que Flamengo ganhe? Na política, é a mesma coisa. Vocês não sabem o que é urucuuba! É gente torcendo para que as coisa não dêem certo”.
Lula negou a possibilidade ceder ao populismo: “As coisas estão mais ou menos arrumadas. Agora, é a gente não permitir que o processo eleitoral do ano que vem venha exigir que o governante tome medidas irresponsáveis, populistas, tentando fazer apenas algumas coisa para a torcida, sem levar em conta o momento que o brasil está vivendo.”
No discurso a uma platéia prioritariamente de operários e marinheiros que gritavam entusiasmadamente seu nome, Lula disse que as ações de seu governo serão pautadas pela responsabilidade. “As coisas serão feitas da forma mais responsável possível. Serão feitas porque, se depender de mim, o Brasil não jogará fora essa oportunidade.”
De acordo com Lula, o País está entrando num momento “crucial” de seu processo de desenvolvimento, no qual não se poder errar. “Se nós agirmos corretamente, o Brasil poderá ter conquistado definitivamente um novo ciclo de desenvolvimento sustentado e duradouro, que pode demorar de dez a 15 anos.”
De olho em 2006, Lula disse que não está disposto a jogar por terra o esforço para colocar o País nessa rota: “Eu, que nunca tive nada de graça na vida, não vou jogar fora esse oportunidade. O Brasil está num ciclo virtuoso. As exportações estão crescendo, a poupança interna está crescendo, a massa salarial está crescendo, o emprego está crescendo. O que está caindo nesse momento? O custo de vida e a inflação”, afirmou o presidente.
Citou números: disse que a média mensal de geração de empregos com carteira é de 105 mil em seu governo, contra 8.000 no do seu antecessor. Em campanha Antes de Lula, os sindicalistas Carlos Alberto Grana, presidente da Confederação Nacional dos Metalúrgicos da CUT, e José Mascarenhas, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos de Niterói, discursaram a convite da organização do evento e exortaram o presidente a concorrer à reeleição. Em resposta, a platéia convidada, em sua maioria de petroleiros, metalúrgicos e marinheiros, gritavam, em coro: “Lula, Lula, Lula.” Alguns arriscavam ainda mais: “Lula, eu te amo.”
Ao final de seu discurso, Lula arrancou gritos de “Olê, Olê, Olá, Lula, Lula”. “Eu quero dizer que há muitos séculos grande navegadores diziam: Navegar é preciso, viver não é preciso. Eu agora quero mudar um pouco a letra e vou dizer: "Navegar é preciso e viver melhor é muito mais preciso”, disse Lula, depois de um pequeno tropeço, no qual trocou a palavra “viver” por “morrer”.
“Navegar é preciso, viver não é preciso” era o lema da Escola de Sagres, em Portugal, dedicada aos navegadores do século 15. Do lado de fora, um grupo de 30 manifestantes da juventude peemedebista protestavam com cartazes nos quais era possível ler “Lula ladrão, devolve o ‘mensalão'”.