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Aftosa já causa restrição de 30 países

Por Fernando Itokazu | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - O foco de febre aftosa detectado no Mato Grosso do Sul (MS) já fez 30 países adotarem restrições à compra de carne brasileira. A lista, além de grande, é significativa pois inclui nomes que ocupam posição de destaque entre os maiores compradores da carne brasileira.

O complexo carnes é o segundo produto da balança comercial agropecuária, atrás apenas da soja. A expectativa é que as exportações neste ano atingissem US$ 8 bilhões. Principal destino da carne bovina brasileira no ano passado (com US$ 239 milhões e 154 mil toneladas) e nos primeiros oito meses de 2005 (US$ 364 milhões e 195 mil toneladas), a Rússia já decretou embargo ao produto, segundo as agências internacionais. A embaixada russa não confirmou a informação.

O governo brasileiro também disse que não recebeu notificação oficial, mas que existe compromisso de que, identificado um foco, ocorre a suspensão de compra de carnes dos Estados onde foi localizado e fronteiriços.

A União Européia, com 25 países-membros, entre eles alguns grandes compradores, suspendeu a comercialização de carne bovina proveniente não só de MS, mas também de São Paulo e Paraná. São Paulo é o Estado que mais exporta carne bovina - US$ 1,338 bilhão e 635 mil toneladas em 2004.

O MS foi o terceiro que mais exportou (US$ 118 milhões) e Paraná, o quarto (US$ 101 milhões). De janeiro a agosto de 2005, esses três Estados acumulam US$ 1,286 bilhão do US$ 1,722 bilhão que o país faturou com a exportação de carne bovina.

O Reino Unido suspendeu a importação da carne produzida em MS e Paraná, enquanto Israel e África do Sul suspendeu as compras de carne de todo o País. O Chile, terceiro maior comprador de carne bovina do Brasil no ano passado, também suspendeu a comercialização, segundo agências internacionais. Entre janeiro e agosto, o Chile importou 57 mil toneladas (US$ 117 milhões).

O Ministério da Agricultura do Paraguai também divulgou a decisão de não comprar carnes, mas não informou qual a extensão. Para tentar minimizar os efeitos na balança comercial, o governo vai enviar uma missão para a reunião da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE ), que acontece amanhã, em Paris, para apresentar as medidas já tomadas, entre elas a montagem de barreira em um raio de 25 quilômetros de Eldorado (município onde foi identificado o foco) e o sacrifício das 582 cabeças de gado da fazenda atingida.

A intenção do governo agora é avançar nas investigações para determinar a origem do foco e padronizar as ações de combate. Na sexta-feira, será realizada uma reunião com os secretários de Agricultura de 15 Estados mais o Distrito Federal para apresentar as medidas adotadas. Após reunião ontem entre representantes do ministério e de São Paulo, Minas, Goiás e Mato Grosso, o presidente do Fórum Nacional dos Executores de Sanidade Agropecuária, Altino Rodrigues, disse que não havia necessidade do fechamento de fronteiras estaduais. Mas ao menos oito Estados anunciaram a medida, inclusive SP, Minas e Mato Grosso.

Comer carne contaminada pela febre aftosa pode não trazer risco nenhum à saúde humana, segundo informa o Serviço de Informação da Carne (SIC).

Novos focos

A Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) de Mato Grosso do Sul suspeita que a ocorrência de febre aftosa no Estado não estaria restrita à fazenda Vezozzo, em Eldorado.

Na segunda-feira, técnicos da agência que investigam a origem do foco coletaram material para análise na fazenda Santo Antônio, em Japorã (464 km da Capital), também no sul do Estado.

O diretor-presidente da Iagro, João Crisóstomo Mauad Cavallero, afirmou que há indícios da enfermidade em outras fazendas e disse que essas propriedades, na mesma região, também serão investigadas. Ontem à tarde, segundo Cavallero, o material coletado na Santo Antônio foi enviado a Belém (PA) para análise. O resultado deve ser divulgado hoje.

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