Economia & Negócios

Juiz abre processo contra sindicalistas

Por Roberto Alexandre | Especial para o JC, da Folha da Região de Araçatuba
| Tempo de leitura: 2 min

Os cinco integrantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Bauru e Região (Sindtran) presos em flagrante no dia 28 de setembro em Araçatuba, acusados de tentar extorquir R$ 60 mil de uma empresa daquela cidade, serão processados criminalmente por extorsão. A denúncia, oferecida pelo promotor Sérgio Ricardo Martos Evangelista na última segunda-feira, foi acatada ontem pelo juiz Wellington José Prates, da 2ª Vara Criminal de Araçatuba.

Os acusados serão ouvidos pelo magistrado em audiência marcada para o próximo dia 5, às 15h30, no Fórum de Araçatuba. Após a prisão, no dia 30 de setembro os cinco sindicalistas foram transferidos para o Centro de Detenção Provisória de São José do Rio Preto. O juiz Prates também manteve a prisão em flagrante dos acusados.

Depois de um mês de investigações, com gravações de telefonemas e encontros filmados, a Polícia Militar de Araçatuba prendeu o presidente do Sintran, Elias Pinheiro da Silva; o membro do conselho fiscal da entidade Paulo Henrique Del Rey; o secretário João Antônio Pazoni; o segundo-secretário Mário Aparecido Henrique e o diretor financeiro Benedito Donizete da Silva.

No dia da prisão, os cinco sindicalistas estavam reunidos, em um restaurante de Araçatuba, com um representante da empresa. De acordo com o que foi apurado nas gravações da polícia, os acusados ameaçavam provocar um movimento de greve na empresa se não recebessem R$ 60 mil.

Os sindicalistas se reuniram em duas ocasiões com representantes da empresa. Na denúncia, o promotor observa que “em tais ocasiões houve o emprego de grave ameaça, já que os indiciados mencionaram que haveria paralisação e tumulto na empresa e que o caso seria levado à imprensa e à Câmara de Vereadores, denegrindo a imagem da firma perante a opinião pública”.

Os sindicalistas passaram a negociar com a empresa em meados de junho deste ano, após uma pequena paralisação em dos seus setores. Em 26 de agosto, o presidente do Sindtran telefonou para a empresa e sugeriu a realização de uma reunião, segundo as investigações policiais.

As tentativas de extorsão teriam começado em setembro. Segundo a denúncia do Ministério Público, Elias Pinheiro da Silva teria pedido, inicialmente, R$ 80 mil para retirar uma denúncia feita pelo sindicato contra a empresa, na Subdelegacia Regional do Trabalho. Tendo em vista a tentativa de extorsão, a empresa denunciou o caso à polícia de Araçatuba, que passou a monitorar os encontros dos sindicalistas com representantes da firma. No dia 8 de setembro, houve nova reunião em um restaurante da cidade. Esse encontro foi gravado.

Os sindicalistas voltaram a se reunir no fim do mês. A polícia novamente filmou os envolvidos e efetuou a prisão logo após os indiciados pegarem o dinheiro que estava sendo extorquido da empresa. Os acusados foram autuados em flagrante na delegacia seccional de Araçatuba.

Se condenados, os sindicalistas poderão ser submetidos ao cumprimento de pena que varia de 4 a 10 anos de prisão. Ao serem presos, os acusados negaram que tentavam extorquir a empresa com sede naquela cidade.

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