Que os carros zero mais em conta no mercado automotivo nacional são um sucesso, isso ninguém duvida. Mas só queria entender: como esses veículos podem ser chamados de “populares”?
Só para citar um exemplo: o automóvel mais barato do segmento vendido hoje nas concessionárias não custa menos do que R$ 20 mil, uma bagatela de 66 salários mínimos, quantia que, nem em sonho, um assalariado ganhando R$ 300,00 - que não são poucos nesse Brasilzão varonil - consegue reunir economizando. Até a chamada classe média, se é que ela ainda existe, tem dificuldades para fechar uma compra de um veículo novo.
Assim, um carro desse segmento só poderia ser chamado de “popular” se sua aquisição fosse democratizado a essas classes sociais. O resto é conversa para boi dormir. E, se alguém tiver alguma sugestão para um nome mais adequado à categoria desses automóveis, aceito contribuições, que serão muito bem-vindas.
Há até quem defenda - e assino embaixo - que os carros “populares” não deveriam ter motores 1.0, e sim 1.4. Isso porque a esperada economia de combustível vai por água abaixo quando se exige um pouco mais desses carros, principalmente em um País de características topográficas tão distintas como o nosso. Já os 1.4 têm gasto semelhante aos “mil” com a grande vantagem de ser mais potentes.
Para mim, a razão da existência - e sobrevivência - dos 1.0 foi dada pelo vice-presidente da General Motors do Brasil, José Carlos Pinheiro Neto. “Carro mil é igual jabuticaba. Só tem aqui no Brasil.”