Turismo

Novatos ‘armados’ até os dentes

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

É comum achar que pescaria é lugar de pessoas mais velhas, aposentadas, que buscam o sossego. Mas esse cenário vem sendo modificado, principalmente com o crescimento da pesca esportiva, que deixa mais dinâmica a atividade. Acompanhando os pais ou mesmo integrado em grupos de pesca, uma galera jovem descobriu as belezas do Alto Xingu e pretende voltar.

André Nolf, 25 anos, foi pela primeira vez em 2003, acompanhando o pai, Oscar Azevedo Nolf, em mais uma de suas aventuras. “Meu pai sempre gostou de natureza, de ver os animais em seu ambiente natural. Com ele, me apaixonei por isso tudo, gosto de acampar, não abro mão de uma boa pescaria e estudo gestão ambiental”, salienta André. Em sua terceira ida ao Rancho Xingu, André teve a oportunidade de chegar dez dias mais cedo que o restante da turma e aproveitar os momentos de reflexão. “Não tem balada que substitua esses momentos”, acrescenta.

Naquela primeira expedição, Vítor Fingolo Poiani, 21 anos, de São Bernardo do Campo, enfrentou a turma sozinho, agora, em 2005, conseguiu arrastar também os pais, Ana e Vitório Poiani. “Pesco desde criança, mas em grupo é mais gostoso”, comenta.

Ele ressalta que são nesses momentos em que é possível trocar experiências e aprender com os mais velhos. Seu companheiro de pesca este ano foi Ronaldo Santos, de Diadema, com quem se divertiu e pescou muito. “O Ronaldo é ótimo. Nos embrenhamos em um lago, tivemos que levar o barco, demoramos uma hora e meia, mas valeu a pena. Pegamos vários tucunarés e garantimos o almoço”, recorda.

A única coisa que intrigou mesmo o pescador ocorreu no final da tarde de pesca, quando uma imensa nuvem de fumaça surgiu no céu. “Parecia mesmo um cogumelo atômico. O piloteiro contou que eles fazem um círculo e colocam fogo, a maioria dos animais não consegue fugir”, lamenta. A dupla recorda que até o barulho do fogo assustava. “Parecia um trovão”, diz Vitinho.

As derrubadas, mesmo que regulamentadas, ameaçam muito a região, que está com o leito de seus rios ameaçado. Em alguns locais, a mata ciliar já está sendo destruída e, em outros pontos, o desmatamento está bem próximo. As comunidades indígenas instaladas na reserva ficam alarmadas, pois estão cientes dos riscos de assoreamento e escassez de águas nos rios, pois as nascentes não se encontram em área de proteção indígena.

Emoção

“É como bater um balanço.” Com esta frase, a estudante de ciências contábeis e paulistana Vivian Villela, 21 anos, resume sua emoção ao fisgar seu primeiro peixe. “Eu não pensava em pescar, fui ao Xingu acompanhar meu namorado Gil (Gilberto), e conhecer novos lugares, mas adorei. A beleza da região e integração com pessoas de faixa etária diferente foi superbacana. A gente não imagina como eles são animados, é uma alegria impressionante e contagiante”, recorda a jovem pescadora.

Seu primeiro peixe foi uma cachara, depois “pegou gosto” e pescou matrinxã, palmito, piranha e até arraia. “Foi um período de experiências, fiz meu primeiro vôo, peguei meu primeiro peixe, aprendi a arremessar e eu que não sabia fazer nada. Gostei tanto que todos os dias saíamos para pescar e fui ficando craque.” O namorado, Gilberto de Barros Monteiro, 21 anos, também estudante de ciências contábeis, pesca há cinco anos, mas foi pela primeira vez ao Xingu em 2005.

“Como meu pai (Geraldo) já tinha ido outras vezes, pelas fotos e filmes tinha uma noção do lugar, mas nunca é a mesma coisa. Achei incrível a sensação de estar dentro de uma floresta. Outra surpresa foi conhecer vários índios, seu artesanato; afinal, eles são os primeiros habitantes da nossa terra”, recorda.

É comum, quando o rancho recebe turistas, representantes de comunidades indígenas do Xingu apresentarem seu artesanato, como redes, colares, brincos, cerâmica, arco e flecha e outros objetos fabricados manualmente.

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