A morte de um galo em uma chácara em Marília (100 quilômetros de Bauru) levantou a suspeita de que a região pode ter registrado o primeiro caso de gripe aviária do Brasil. O animal morreu menos de 24 horas depois de começar a apresentar os primeiros sintomas de uma doença que, segundo o dono, é bem semelhante à que está provocando estado de alerta em todo o mundo.
Para tentar diremir qualquer dúvida com relação à causa da morte da ave, a Divisão de Zoonoses da Secretaria Municipal de Saúde de Marília decidiu enviar o galo para o Instituto Adolpho Lutz, em São Paulo. “Não há evidência técnica nenhuma de que seja gripe aviária. Mas estamos fazendo esse trabalho de vigilância epidemiológica para acabar com qualquer suspeita sobre o que possa ter causado a morte do galoâ€, explica Lupércio Lopes Garrido Neto, coordenador do órgão.
Ele salienta que a dúvida partiu do proprietário do galo, um chacareiro que tem uma pequena criação de galinhas no bairro Santa Antonieta, nas proximidades do aeroporto da cidade. Mas o que o levou a desconfiar da contaminação, já que o animal nasceu na chácara e foi criado de maneira caseira? Segundo Garrido Neto, o que levantou a suspeita foi a visita recente de vários patos selvagens em um lago localizado na chácara. “O chacareiro disse que esses patos vêm de longe, provavelmente da América do Norte, pois são aves migratórias, e podem ter tido contato com o vírusâ€, frisa.
O galo morreu no final da tarde de anteontem, apresentando um quadro típico de gripe: febre, penas arrepiadas, secreção nasal, barbelas arroxeadas e dificuldades respiratórias. No entanto, salienta Garrido Neto, existem diversas formas de doenças respiratórias entre as aves, como acontece com os seres humanos. “Nem todo o mundo que tem gripe, vai desenvolver uma pneumonia. Assim acontece com os animais.â€
O galo foi congelado e lacrado para ser enviado hoje ao Instituto Adolpho Lutz, em São Paulo. “Como temos uma regional do órgão em Marília, vamos ver se eles podem fazer o transporte. Se não for possível, a ave vai viajar numa viatura da prefeitura da cidadeâ€, destaca.
Segundo o coordenador da Divisão de Zoonoses, não há previsão de quando deve ser emitido um laudo sobre a causa da morte do galo. â€œÉ um caso inusitado e não temos idéia de quanto tempo será preciso para fazer a avaliaçãoâ€, destaca.
Sentinelas
Em reunião com técnicos da Secretaria de Estado da Saúde e da Agricultura de São Paulo, realizada anteontem, foram decididas as regiões do Estado que vão sediar os novos postos de sentinela da gripe aviária. Alguns já com endereço certo. Além das duas já ativas, nos hospitais Menino Jesus e José Storopoli, o Hospital São Paulo, a Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Guarulhos, Campinas, uma cidade da região oeste do Estado e outra na Grande São Paulo serão os próximos. “Não descartamos a idéia de instalar postos nos aeroportosâ€, conta Carlos Magno Fortaleza, coordenador de Controle de Doenças da Saúde.
O treinamento de mil profissionais na área da saúde vai começar na primeira semana de dezembro. “A idéia é que todos estejam treinados. Mas, num primeiro momento, o número é suficienteâ€, diz Fortaleza. “O treinamento será o de informar por meio de palestras sobre os riscos. Não há motivo para alarde.â€
* Com Agência Estado