Ao engolir cápsulas contendo cocaína, S. C. V. R., 41 anos, e sua esposa, R. O., 45 anos correram risco de morte, confirmam dois médicos ouvidos pela reportagem. Se um único invólucro estourar dentro do sistema digestivo, a droga é liberada, causando overdose. “Do estômago ao intestino grosso, se apenas uma das cápsulas abrisse, ele teria morrido por overdose”, garante o médico Samuel Fortunato, diretor técnico do Hospital de Base onde o homem foi internado.
Ele conta que assim que o homem deu entrada no HB, passou por uma lavagem intestinal para que todas as cápsulas restantes fossem expelidas. Os invólucros, relata, já estavam no intestino grosso, prontos para serem expelidos. Até a tarde de ontem, ele ainda estava internado, aguardando eliminar o último invólucro.
O gastroenterologista Márcio Augusto Ferreira esclarece que o maior risco dos invólucros romperem é no estômago e no duodeno. “Isso devido à acidez do suco gástrico do estômago e do suco duodeno-pancreático, onde ocorre a maior absorção do corpo humano”, aponta o médico.
O especialista ainda lembra que, caso alguma cápsula não seja expelida, o organismo começará a digeri-la. “Se não expele, a gente tem que retirar cirurgicamente”, afirma.
Ferreira ainda observa que, se o material do invólucro não for resistente, a cirurgia também é necessária. “Caso seja esse o quadro, a droga precisa ser retirada do estômago por meio de uma cirurgia o mais rápido possível”, explica. Os sintomas de uma overdose são taquicardia e hipertensão, que podem evoluir para um estado de coma e morte.