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Cistos no ovário ampliam riscos na gravidez

Por Fernanda Bassette | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Presente em 10% das mulheres em idade fértil, a síndrome dos ovários policísticos (SOP) é uma doença ainda sem causa definida, apesar de ter sido relatada pela primeira vez na década de 30. A principal lembrança que as mulheres têm quando ouvem falar em ovários policísticos é a dificuldade para engravidar. Mas estudos recentes vão além da infertilidade e mostram que as mulheres portadoras da síndrome também têm riscos aumentados de sofrer um aborto espontâneo nos três primeiros meses de gestação. Esses mesmos estudos mostram que essa taxa de aborto cai para cerca de 5% quando a paciente utiliza medicamentos para controle da resistência à insulina.

O ginecologista Fábio Lopes Teixeira Filho, especialista em medicina reprodutiva e professor da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), explica que a dificuldade de gravidez está relacionada ao hiperandrogenismo (aumento da presença de hormônios masculinos) no corpo da mulher.

“O aumento dos andrógenos prejudica a formação dos folículos, que passam a se desenvolver irregularmente. Como a mulher deixa de ovular continuamente, ela tem mais dificuldade para engravidar’’, diz o médico.

Ainda segundo Teixeira, quando a mulher consegue formar esse óvulo, ele geralmente é de baixa qualidade e tem menos chances de ser implantado no útero. “Esse é um dos fatores que levam ao aborto espontâneo’’, afirma.

Outro fator que pode provocar o aborto, segundo a ginecologista Cláudia Gazzo, é a resistência à insulina. Estudos mostram que cerca de 50% das mulheres com a síndrome têm resistência à insulina, especialmente as obesas. “Essas mulheres não têm diabetes, mas os riscos de desenvolver a doença são aumentados’’, afirma.

A insulina em excesso age sobre as células da teca (que envolvem o folículo), que são responsáveis pela produção de androgênio. “A mulher obesa tem muito mais glicose no sangue. Como o organismo não precisa de tanto, ele cria uma resistência à insulina’’, explica Eduardo Motta, ginecologista e especialista em medicina reprodutiva da Unifesp.

A principal forma de tratamento para a mulher conseguir engravidar é perder peso. Outra forma, preconizada pelos especialistas para as mulheres que têm resistência à insulina, é tomar medicamentos hipogliceminantes.

“Esses medicamentos vão baixar os níveis de glicose e aumentar a atividade do fígado, para metabolizar a quantidade de insulina circulante. Para mulheres com a síndrome, isso é ótimo, porque ela deixa de ter estimulada a produção de androgênio’’, comenta Motta.

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