Com 23% da frota parada, a Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) enfrentou ontem mais um dia de queixas. Moradores da Vila Cardia voltaram a reclamar da coleta de lixo, que estaria atrasada há quase uma semana. A informação é contestada pelo poder público, que afirma que a recolha foi feita na última sexta-feira à noite.
Entre um round e outro, a Emdurb admite problemas com caminhões. Dos 17, cinco estavam parados ontem à tarde, sendo que um deles voltaria às ruas até o início da noite. Apesar da dificuldade, Jorge Monteiro, diretor de Limpeza Pública da empresa, garante que a coleta foi regularizada anteontem. Mas Isabel Cristina da Silva, moradora da quadra 32 da avenida Rodrigues Alves, discorda.
“Desde terça-feira passada não passam por aqui. Eu liguei na Emdurb, falaram que iam normalizar, mas nada. Tem até bigato saindo dos sacos. Eu jogo água sanitária para não juntar mosca, nem dar cheiro”, conta. O vizinho dela, João Ricardo Hoffmann, confirma o problema. “O pior é que estamos na entrada da cidade. A aparência fala pelo município”, avalia.
No entanto, a Emdurb reitera a recolha do lixo no bairro na última sexta-feira e atribui o problema constatado pelo JC na semana passada - quando pelo menos cinco bairros ficaram sem a coleta – ao alto índice de falta de funcionários, quebra de caminhões e à mudança do sistema de trabalho dos coletores. Eles trabalhavam por tarefa e passaram a cumprir jornada de seis horas diárias.
Hora extra
Fontes oficiais informaram à reportagem que, quando a tarefa era cumprida em menos de seis horas e o coletor continuava trabalhando em outro setor, recebia hora extra, conforme acordo firmado em gestões anteriores.
“Isso é conversa mole. Esse acordo não existe. Os coletores têm jornada de oito horas e param duas para o almoço. Como não rendia (o trabalho), eles fazem seis direto. Só tem hora extra depois das seis horas trabalhadas”, explica o diretor do Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm) José Roberto Batista.
Ele esclarece que, quando o coletor fica parado aguardando reparo em caminhão e o período de seis horas é extrapolado, ele recebe as extras. “O trabalhador está à disposição da Emdurb. Tem caminhão que não é recuperado porque deixam de comprar peças baratas, de R$ 50,00, por exemplo”, afirma. Coletores consultados pelo JC confirmaram a afirmação, mas de maneira indireta.
Com medo de represálias, eles não falaram abertamente com a reportagem, porém deixaram escapar o temor de serem responsabilizados sozinhos por uma situação que estaria além do serviço que prestam. “Desconheço esse tipo de informação (de falta de peças baratas). O custo de manutenção dos veículos da coleta é uma das maiores despesas da empresa atualmente”, rebate Monteiro.