Regional

Projeto sugere usina de lixo na região

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 3 min

Pederneiras - A construção de uma usina regional para transformação do lixo em matéria-prima foi uma das principais propostas debatidas ontem em um encontro organizado pelo Conselho de Desenvolvimento Econômico Regional (Coder) em Pederneiras (26 quilômetros de Bauru).

Coordenado pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), o evento reuniu representantes de 22 municípios da região, que fazem parte do Coder. A reunião teve como objetivo debater soluções conjuntas sobre o destino do lixo gerado nessas cidades. Os 22 municípios que compõem o Coder produzem cerca de 360 toneladas de lixo por dia.

Na reunião de ontem foi apresentado um estudo para solucionar o problema do lixo. O projeto foi desenvolvido por um grupo de alunos do Departamento de Engenharia e Produções da Universidade Estadual Paulista (Unesp), dentro do curso de mestrado da linha de gestão ambiental.

Este projeto propõe a criação de cooperativas municipais e a criação de uma usina central de processamento do lixo em matéria-prima. De acordo com o projeto, cooperativas devem ser implantadas nos municípios com o objetivo de recolher e selecionar o lixo urbano.

A usina, que deve ficar localizada em ponto estratégico na região, faria o trabalho de recolha do material nas cooperativas das cidades. A matéria-prima final, o lixo reciclado, seria vendido para empresas e indústrias.

O projeto prevê que o lugar mais adequado para a instalação da usina, que deve ocupar uma área de 2 mil metros quadrados, é a região entre as cidades de Bauru e Avaí. O custo de implantação foi estimado em R$ 65 milhões.

“A prefeitura não teria preocupação, a própria usina central buscaria o lixo nas cidades satélites. Os caminhões (da usina) correriam as 22 cidades para buscar o material reciclável. O produto final seria vendido para as grandes indústrias de reciclagem”, explica Jair Manfrinato, professor da Faculdade de Engenharia da Unesp de Bauru.

Segundo o professor, é preciso que todas as cidades do Coder se envolvam no projeto para facilitar o financiamento. “A Fundação Banco do Brasil pode bancar o projeto das cidades”, aposta.

Economia

O grupo da Unesp, que elaborou o estudo, calcula que as 22 cidades da região, pertencentes ao Coder deixam de economizar cerca de R$ 49 milhões por ano ao não aproveitarem o potencial econômico gerado com o aproveitamento do lixo.

O estudo feito pelo grupo prevê também economia de até R$ 4 milhões por mês nos cofres das 22 cidades da região e cerca de R$ 59 milhões por ano com a implantação do projeto. De início, pode-se economizar cerca de R$ 1 milhão por mês nos dois primeiros anos de implantação do projeto.

As 22 cidades pertencentes ao Coder possuem cerca de 600 mil habitantes e cada morador da região gera cerca de 60 gramas de lixo por dia. “Nós temos que aproveitar o potencial logístico e econômico da região que estava adormecido”, alerta Ricardo Coube, diretor regional do Ciesp.

“Dentro deste projeto a receita gerada paga todas as despesas de transporte e ainda sobra receita para o município”, acredita Manfrinato.

Na reunião, em Pederneiras, também foram apresentado projetos desenvolvidos na área de meio ambiente por duas cidades da região.

A Prefeitura de Lençóis Paulista expôs os resultados obtidos pela cooperativa dos recicladores da cidade e a prefeita de Pederneiras, Ivana Giácomo Bertolini (PV), lançou o programa Verde Vida, que consiste numa série de ações nas áreas de educação, saúde, cultura e assistência social voltadas para a preservação do meio ambiente.

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