Curitiba - O Ministério da Agricultura e o Governo do Paraná divergem publicamente sobre a existência ou não da febre aftosa no rebanho do Estado. Após a divulgação de que os exames realizados no Laboratório Nacional de Apoio Agropecuário (Lanagro) do Pará não detectaram a existência da doença, o governador Roberto Requião (PMDB) afirmou categoricamente que o rebanho do Estado estava livre do vírus.
Em nota divulgada ontem, no entanto, o ministério enumera quatro razões para afirmar porque não é possível ser conclusivo sobre o assunto: 1) no dia 20 de outubro a própria Secretaria de Agricultura do Paraná informou que os animais apresentavam sintomas clínicos da aftosa; 2) o diagnóstico clínico divulgado na época era compatível com a doença; 3) os exames do Lanagro não foram suficientes para esclarecer o quadro clínico; 4) o ministério entende que um diagnóstico conclusivo não se restringe apenas a resultados de exames laboratoriais, sendo também necessários que se considere as manifestações clínicas e as vinculações epidemológicas.
Procurada, a assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura informou que vai soltar um nova nota ainda ontem em que deve detalhar seu posicionamento. Ontem, tanto o governador Requião quanto o secretário da Agricultura do Paraná, Orlando Pessuti, afirmaram que o vírus da aftosa não existe no rebanho paranaense.
O governador criticou o laboratório pela demora na realização dos exames. “O que atrapalhou tudo foi a lentidão e uma ineficácia do laboratório que não tinha condições de isolar o vírus e completar os testes”, disse. Eles também cobraram que o Ministério da Agricultura retire as restrições para trânsito de animais e venda de produtos nos 36 municípios considerados pelo governo federal área de risco da doença.
As propriedades paranaenses em que havia suspeita de aftosa estão localizadas nos municípios de Amaporã, Loanda, Maringá e Grandes Rios. O governo incluiu na lista de área de risco outras 32 cidades próximas. Desde o anúncio da primeira incidência de febre aftosa em Mato Grosso do Sul, no dia 10 de outubro, 49 países impuseram restrições a produtos brasileiros e já foram detectados 22 focos no Estado.
Greve
Os fiscais federais agropecuários decidiram manter a paralisação nacional da categoria por tempo indeterminado. O movimento foi deflagrado na segunda-feira. Desde então, os representantes da categoria mantiveram uma série de reuniões com representantes dos Ministérios da Agricultura e do Planejamento.
A greve dos fiscais agropecuários acontece em meio à descoberta de focos de febre aftosa no país. No entanto, a Associação Nacional dos Fiscais Federais Agropecuários (ANFFA) informou que a paralisação não atingirá áreas atingidas ou sob suspeita de febre aftosa, como Mato Grosso do Sul ou Paraná.
A categoria reivindica contratação de funcionários, isonomia salarial entre ativos e aposentados, melhoria da remuneração, entre outros pontos. O salário inicial da carreira é de R$ 2.518,00. Os fiscais querem ampliar para R$ 4.147,00.