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Depois do referendo, comércio de armas de fogo registra queda

Folhapress
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São Paulo - Embora tenham feito campanha pela vitória do “não” no referendo sobre a proibição do comércio de armas - por questão de sobrevivência -, as lojas que vendem armamento e munição na Capital só tiveram um lucro extra nas duas semanas que antecederam a votação. Depois disso, mesmo com o comércio liberado, o movimento tem reduzido bastante.

“Voltamos ao ritmo de antes do início da campanha do referendo. O movimento caiu, após a votação”, disse Endy Reis, vendedora de uma loja de armas na região central. Em outra loja, em Pinheiros (zona oeste de SP), a situação é semelhante. “Tem muita gente perguntando, mas comprar, poucos compram”, diz um funcionário.

Na semana imediatamente seguinte ao referendo, então, o movimento foi quase nulo. “Nas duas semanas anteriores ao referendo, vendemos cerca de 15 revólveres e dez espingardas. Nesta semana, nenhuma arma”, conta Miguel Boiko Filho, 49 anos, vendedor de uma loja na avenida São João (centro de SP). Ele avalia que, após o referendo, quem pretende comprar uma arma conclui que não precisa ter pressa.

“Além disso, o Estatuto do Desarmamento já é muito exigente. Muita gente que vem aqui interessada em adquirir uma arma logo desiste ao saber de todas as exigências para conseguir o registro. O porte, então, nem se fala: hoje em dia ninguém consegue”, diz.

Em Santa Cecília (centro), outra loja de armas estava cheia de clientes quando foi visitada pela reportagem. Mas eram todos policiais civis, que já haviam adquirido as armas antes do referendo. “O movimento está ruim. A maioria que nos procurou foi para perguntar se mudou alguma coisa, após o referendo. A discussão sobre o comércio de armas acabou provocando dúvidas na população”, conta Vera Ratti, dona da loja.

Ela diz que, mesmo antes do referendo, o movimento, embora maior, não chegou aos pés daquele registrado antes das leis que restringiram a compra de armas. “Até 1997, quando surgiram as primeiras restrições, nós vendíamos de dez a 15 armas por dia”, relembra, saudosa. “Hoje, além da burocracia, muita gente não tem dinheiro.”

As armas mais baratas, nas lojas, custam cerca de R$ 1 mil. Com as exigências para comprá -las -como cursos e exames -, gasta-se mais R$ 600,00, aproximadamente.

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