Rio - O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), disse ontem no Rio que poupará o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e seu governo de ataques caso seja o escolhido do partido para disputar a eleição presidencial de 2006. Em entrevista após participar de almoço na Associação Comercial do Rio de Janeiro, Alckmin reafirmou que ainda não é candidato à sucessão de Lula, mas que, se fizer campanha, falará ao eleitor sobre o futuro, não sobre o passado.
“Falar mal dos outros não quer dizer que a gente seja melhor. Não é esse o caminho. Claro que quem é oposição tem o dever de fiscalizar, de se indignar diante do que está errado, tem o dever de apontar caminhos. Mas eu, se for candidato a presidente da República, não vou fazer campanha falando mal nem do Lula nem do PT nem do governo”, disse o governador. Embora não tenha assumido que gostaria de ser o indicado pelo PSDB para a disputa presidencial, Alckmin agiu o tempo inteiro como candidato a candidato.
Aos cerca de 400 empresários e políticos presentes ao evento promovido pela Associação Comercial, o governador de São Paulo falou sobre o que imagina ser preciso fazer para melhorar a economia do País e abordou temas que preocupam a sociedade, como a violência. Depois, ele deu entrevista e seguiu para a rádio Tupi AM, uma das mais ouvidas do Rio. Ir a um programa radiofônico de uma emissora de perfil popular como a Tupi faz parte da estratégia de Alckmin de se tornar mais conhecido na região metropolitana fluminense.
O governador disse na entrevista que, na campanha, pretende não dar tanta importância ao passado. “Eu vou apontar o futuro. Quais são as dificuldades e aquilo que enxergo de forma realista e com sonhos. Sonhos e capacidade de ação para superá-las”, afirmou ele. Assuntos relacionados ao governo Lula serão abordados na campanha, mas não de forma prioritária.
Como tem feito regularmente, Alckmin voltou a fugir de respostas objetivas quando questionado se pensa em concorrer à Presidência. Repetiu que o PSDB tem “bons nomes”, citando aqueles que são apontados como seus principais adversários na disputa interna, o prefeito de São Paulo, José Serra, e o governador de Minas Gerais, Aécio Neves.