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Lula vê ‘mediocridade política' no País

Por Kamila Fernandes | Folhapress
| Tempo de leitura: 4 min

Fortaleza - Em uma solenidade em Fortaleza para anunciar recursos para grandes obras no Nordeste, ontem pela manhã, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu que a União priorize as regiões mais pobres na hora de fazer investimentos e disse que isso só não acontece por causa da “mediocridade política do Brasil”. Para o presidente, por causa dessa “mediocridade”, boa parte da classe política “não consegue pensar no país nem um minuto depois do seu mandato”.

“Acho que essas coisas não acontecem no Brasil, e quero pedir desculpas se alguém se sentir ofendido, pela mediocridade política do Brasil. Pela mediocridade de uma classe política, em que uma boa parte dela não consegue pensar no País nem um minuto depois do seu mandato, só pensa nos seus quatro anos, pensando numa reeleição”, afirmou.

Nesta semana, Lula chegou a admitir, em uma entrevista a emissoras de rádio, que já era candidato à reeleição, mas logo em seguida negou e disse que cometera um lapso. Ontem em seu discurso improvisado, que demorou 48 minutos, ele usou uma metáfora ao falar na hipótese de não continuar no governo.

“Quando a gente planta uma árvore, necessariamente não temos que chupar o fruto daquela árvore. Outros que virão depois poderão ser os beneficiários. Mas nós (governo Lula) tivemos a coragem de plantar, mesmo sabendo que não íamos chupar o fruto daquela árvore”, disse.

“Ave de mau agouro”

Lula esteve em Fortaleza, na sede do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), para anunciar investimentos no Metrofor (o metrô de Fortaleza, cujas obras estão paradas), na construção de uma siderúrgica no Ceará e na ferrovia Transnordestina, que prevê custos de R$ 4,5 bilhões.

O presidente disse que o País vive uma boa fase, com crescimento econômico e no número de empregos, mas que, mesmo assim, há sempre os que torcem pelo fracasso, como “ave de mau agouro”.

“O Brasil é fantasticamente engraçado, eu não sei se é no Brasil ou se é no mundo inteiro, mas aquele que perde uma eleição fica torcendo, torcendo, torcendo para que o presidente eleito não faça nada que dê certo. Aqui todo mundo fica torcendo por um fracasso, que nem uma ave de mau agouro.” Lula foi recebido, pelas cerca de 1.500 pessoas que participaram do evento, com gritos de “Brasil, urgente, Lula novamente”.

Defesa

Coube ao ministro Ciro Gomes (Integração Nacional) fazer a defesa do governo e afirmar que não há divergências internas insanáveis entre ministros. “Na nossa equipe não tem desavença, é tudo intriga e boato da imprensa, a serviço da canalha da UDN”, disse.

“O que tem é uma discussão de gente boa, de gente séria, de gente patriota, que quer melhorar as coisas. O presidente Lula participa e estimula a discussões, porque é assim que um governante democrata deve fazer, e decide. Uma vez decidido, cada um que tem suas diferenças bota a viola no saco, a minha vive no saco quase todo dia, e nós tocamos a ferramenta para frente.”

Ciro referia-se à recente troca de críticas pública entre a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), que estava no evento de ontem, e Antônio Palocci (Fazenda), sobre a condução da política econômica. Para ele, é um privilégio trabalhar ao lado de Dilma, a quem chamou de “xerifa”.

O único a citar Palocci e a elogiá-lo no palanque foi o governador do Ceará, o tucano Lúcio Alcântara. Lula também tocou no assunto, mas ao falar sobre as disputas políticas entre o Senado e a Câmara. “Quando vocês virem essas brigas, não se assustem. É melhor assim do que no tempo do regime militar, que a gente não tinha essas coisas. Isso é um aprendizado”, disse.

Homenagem

Ciro procurou, em todo o seu discurso, fazer referências ao “esforço pessoal” do presidente Lula, ao “seu empenho”, às “suas intervenções pessoais”, à “sua determinação”, à “sua insistência” ao governar. Lula retribuiu os elogios. O presidente disse que quis “homenagear” Ciro quando “deu” a ele as obras da Transnordestina e do Projeto São Francisco. “Foi uma homenagem à humildade, à lealdade, às coisas transparentes que ele faz”, disse o presidente após revelar que as duas obras são as que ele mais acredita que sejam importantes.

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