Cultura

Mestre das pick-ups lança novo CD

Adriana Fricelli
| Tempo de leitura: 3 min

A música já está na boca do povo há muito tempo, mas só agora ganha as lojas com o CD “Humbatuque Club”, uma compilação de hip hop, R&B e soul, que traz o hit “Senhorita”, projeto do DJ Hum, juntamente com Lino Crizz e o rapper Cabal. Sucesso nas pistas de dança do Rio e São Paulo, a música vem acompanhada de outros hits dançantes que prometem cair no gosto dos baladeiros de plantão.

Produzido por um dos DJs mais cobiçados do momento, DJ Hum, o disco é uma mostra da música negra no País e reúne remixes de artistas conhecidos, como Paula Lima, Xis e SP Funk. Além dos consagrados, o CD apresenta novos talentos, como os grupos Charme Faces, Orbe e a dupla La Postura, com a música “Baila”, um verdadeiro hip hop em portunhol.

Lançado pelo selo independente do próprio músico, Hum Batuque, o CD tem o ritmo de uma festa. Começa tranqüilo, com a música “Funk na Quebrada” de Lino Crizz e, aos poucos, vai ganhando energia até fechar com “Ser Sua”, de Mara Nascimento. “A produção é consistente. Uma música vai sendo mixada à outra, como se fosse uma coisa só, uma grande festa”, afirma DJ Hum, em entrevista ao JC Cultura. No total, são 14 faixas de remixes e outras originais do músico, num resultado superdançante.

Compilação nacional

A escassez no mercado de produções nacionais do gênero fez com que o músico começasse a se articular com diversos artistas nacionais que trabalham com música negra. “Não tinha nada diferente tocando na noite. Sentia falta do samba rock e do funk brasileiros. Foi pensando nisso que surgiu o álbum”, informa DJ Hum.

Adepto do vinil, o DJ não se rendeu às parafernálias eletrônicas, motivo de o disco ter sido lançado primeiramente apenas nesse formato, no ano passado. “Em 90% do meu set eu toco com vinil. Não tem jeito. É como você ir a um show de rock em que o guitarrista é substituído por vários sintetizadores, que reproduzem o timbre da guitarra”, compara.

Tocado apenas por profissionais nos clubes e na noite, o disco acabou se tornando um sucesso e vendeu muito mais do que o esperado. “O vinil estourou. As pessoas pediam e, por isso, tive que transformá-lo em CD”, diz o músico para a alegria dos fãs. O músico está na produção de um novo projeto, que deve ser lançado até o final deste ano.

Sangue negro

DJ Hum é um dos precursores do hip hop no Brasil e já realizou diversos shows pelo Brasil e pelo exterior, levando o que há de melhor da cultura negra brasileira. O começo dessa história é antigo, há 30 anos, quando o músico teve contato com as músicas da periferia tocadas nas discotecas da Zona Leste de São Paulo. “Era lá onde tudo acontecia. A diversão, as revoluções, os namoros e até mesmo casamentos eram realizados nas discotecas. E o som era predominantemente samba rock e soul music”, descreve.

Em 1980, o músico começou a tocar em bailinhos e já começou a chamar atenção pelo modo diferente de discotecar arranhando os discos. A partir de então, não havia mais escapatória: fez da música negra o seu modo e estilo de vida. Ao todo são 12 produções, boa parte ao lado do ex-parceiro Thaíde, de um mestre da discotecagem. “Assim como em uma orquestra sinfônica, o DJ é um maestro, mas da música eletrônica”, finaliza.

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