Bairros

Em dois dias, já choveu quase a metade do previsto para o mês

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Dezembro começou com muita chuva. Nos dois primeiros dias, a precipitação acumulada foi de 93 milímetros, 46% da média histórica para os 31 dias do mês, que é de 202 milímetros, de acordo com o Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) da Universidade Estadual Paulista (Unesp). A conseqüência não poderia ser outra: mais buracos e muita lama nas ruas de terra. Para driblar a situação, os moradores lançam mão até de sacolas para proteger os sapatos na hora de tomar o ônibus, que em alguns bairros mudaram o itinerário por conta da situação das ruas.

Foi o que aconteceu ontem em dez linhas que atendem o Jardim Tangarás, Jardim Andorfato, Parque Roosewelt, Núcleo Joaquim Guilherme, Parque Santa Cândida e Jardim Marilu, segundo a assessoria de imprensa da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb). Mas os coletivos voltam para seus trajetos rotineiros assim que a chuva parar ou a prefeitura passar a máquina na rua.

Com as rua Antônio Borgo, no Fortunato Rocha Lima intransitável ontem, Ana Maria de Souza, sofreu com a lama para sair de casa. “Agora dá para andar, mas de manhã não tinha condições”, contou ela à tarde. “O pior é que, se a chuva continua, a rua começa a encher de buraco”, observa.

O Jardim Marilu é outro bairro que sofreu com a lama ontem. Os ônibus não conseguiam entrar nas ruas do bairro, o que obrigou os usuários do transporte coletivo a andar até a avenida Elias Miguel Maluf. “Já estou acostumada. Choveu, o ônibus não entra”, lamenta Sandra Regina Fogaça, dona de casa. Há quatro anos morando no bairro, ela conta que para chegar até o asfalto, onde passa o coletivo, não existe atalhos que evitem a lama. “É o maior perigo. A rua fica muito escorregadia”, afirma.

Pé na lama

O repertório é variado e a criatividade é o que salva a barra da calça da sujeira na hora de atravessar a rua enlameada. Uma moradora do Jardim Marilu disse que para chegar até ponto de ônibus a melhor alternativa é tirar os sapatos e pôr, literalmente, os pés na lama. “Chego no asfalto, lavo os pés com a água (ela carrega uma garrafa) e calço os sapatos”, revela.

Outra alternativa é cobrir os sapatos com sacolas plásticas, que são amarradas na altura da canela. “Eu vi uma vizinha fazendo isso e achei a idéia interessante”, confessa Fogaça.

Já no Jardim Andorfato, nas margens do córrego da Grama, os moradores estão desolados. No início da semana a prefeitura começou o serviço para recuperar o terreno onde abriu uma cratera e aproveitou para aplanar a rua de terra ao lado. “Foi só arrumar que a chuva veio e estragou tudo. Estamos com lama até o pescoço”, conta a cabeleireira Luciana Germano.

E para chegar até o ponto de ônibus, cinco quadras morro a cima, ela tem a sua tática: “É só procurar uma poça d’água e lavar o sapato”, revela.

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Escoamento evitou danos

Apesar dos transtornos causados pela lama da chuva intermitente, a Defesa Civil não registrou nenhuma ocorrência grave entre anteontem e ontem em Bauru. “Como a chuva foi intermitente, a água foi escoada normalmente”, observa Álvaro de Brito, coordenador da Defesa Civil.

Ele lembra que todos os órgãos de atendimento à população estão em alerta. “Apesar de se concentrarem em janeiro e fevereiro, os buracos e alagamentos já começam a aparecer”, avisa.

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