Economia & Negócios

Desemprego e ‘nome emprestado’ elevam a inadimplência em Bauru

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

Em novembro, o número de pessoas que entraram para o cadastro de inadimplentes do Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) de Bauru foi maior do que os que conseguiram saldar a dívida. Foram incluídos 3.069 novos nomes, enquanto saíram 2.642 pessoas. Para descobrir o que leva o consumidor à inadimplência, o SPC realizou uma pesquisa inédita e descobriu que a maioria das pessoas deixa de pagar suas contas por ter perdido o emprego.

Porém, o que chamou a atenção de Sérgio Evandro Motta, diretor do SPC, foi o número de pessoas que entraram na lista de inadimplência por ter emprestado o nome para a compra de outras pessoas. “Quem pede para usar o nome de outra pessoa, geralmente está na lista de inadimplentes. Aconselho a todos que não emprestem o nome”, adverte.

Foram consultadas as pessoas que se dirigiam até a sede do SPC para se informar sobre a situação do seu crédito. Para quem tinha alguma pendência, funcionários solicitavam o preenchimento do questionário. No total, 191 pessoas se dispuseram a responder. Além dos motivos que levaram à inadimplência, o questionário abordava o que motivou o consumidor a buscar o pagamento da dívida. A maioria, 120 pessoas, indicou que objetivava voltar a fazer compras.

O economista Wagner Ismanhoto alerta para a euforia das compras de final de ano. “Muita gente limpa o nome agora, mas em fevereiro volta para a lista de inadimplentes”, observa. O número de inserções apresentado em novembro não é normal, aponta Mota. “Esse mês é marcado pelo número de pessoas que saem da lista, esse ano foi anormal”, observa o comerciante. “O consumidor pode ter utilizado a primeira parcela do 13º salário para outras prioridades. Mas o conselho é utilizar o benefício para ficar com o nome limpo”, avalia Ismanhoto.

O economista aconselha aos que estão inadimplentes a procurar seus credores para uma negociação. Segundo Ismanhoto, as empresas oferecem condições muito boas para o pagamento de dívidas pendentes nessa época. â€œÉ bom para os consumidores, que voltam a ter crédito e para os lojistas, que recebem o que deviam”, observa. “Essa prática, porém, não pode virar uma filosofia de vida: ficar devendo, só para poder negociar no final do ano”, alerta.

Novembro atípico

A quantidade de pessoas que deixaram a lista de devedores do SPC neste ano foi 28% menor em relação a 2004. O número de inclusões foi menor que o de 2004, mas superior ao mês de outubro, quando foram registrados 2.691 novos nomes na lista. Esses números são contrários à média histórica, que apontava para um mês de novembro com inclusões baixas e mais exclusões.

Outro motivo apontado pelo economista Wagner Ismanhoto é que os valores ainda não refletem a circulação da primeira parcela do 13º salário dos consumidores no comércio. “As empresas tinham até o dia 30 de novembro para pagar essa primeira parte, então, muitos podem ter deixado para quitar as dívidas em dezembro”, conta.

Um outro indicativo para o comércio é o número de consultas feitas pelos comerciantes à entidade. No mês passado, o SPC contabilizou 135.092, cerca de 12 mil a mais que no mesmo período de 2004 e 2,5% a mais do que em outubro. Segundo Sérgio Evandro Motta, o número de consultas reflete um aquecimento no mercado. “Essas consultas podem ou não ter sido convertidas em vendas, mas o número é um indicador de que houve movimento maior no comércio”, observa.

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