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Interditada há 3 anos, ponte Ayrton Senna ‘mata’ comércio e prejudica 30 mil moradores

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Segunda-feira, dia de retomar a labuta. No caminho afora, permeado por terra ou lama, poucos trabalhadores devem lembrar do aniversário de três anos do anúncio de interdição Ponte Ayrton Senna, completados ontem. Levados pela rotina e pela pressão do relógio, a data já ficou distante para a maioria dos pedestres, ciclistas e motociclistas que se arriscam pela “provisória” ponte metálica instalada sobre o rio Bauru, que atualmente liga de modo precário a região do Mary Dota ao Distrito Industrial 1.

Pelo trajeto, não reparam mais nas portas de aço sempre fechadas que, um dia abertas, acolheram a esperança de comerciantes da região. Sem solução a curto prazo, a ponte interditada de fato em 7 de janeiro de 2003, impossibilita a retomada da atividade econômica, especialmente no Jardim Mendonça. Também prejudica cerca de 30 mil moradores da região, que perderam um dos três acessos sentido Mary Dota. A estimativa é do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Leste, que fez o cálculo na época.

“Faça chuva ou faça sol, ando uns três quilômetros pela manhã e mais três à tarde. São 40 minutos de caminhada até chegar ao trabalho. Eu poderia acordar mais tarde se a ponte não estivesse interditada. Também chegaria mais descansado para trabalhar”, afirma o metalúrgico Carlos Alberto Poli. No percurso a pé, diariamente ele passa em frente ao antigo bar de Manoel Batista Sobrinho, que atualmente faz bico de pedreiro para sobreviver.

“Eu achava que o negócio ia melhorar. Fiquei um ano apostando no bar. Quando a ponte foi interditada, fechei. A ponte prejudicou todo mundo”, diz. Há uma quadra de lá, também na rua Cezar Ciafrei, insistente, um posto de gasolina continua de portas abertas. O gerente Marcos Amilton Ramos admite queda de pelo menos 50% no movimento, desde que a ligação entre os bairros foi interrompida.

â€œÉ uma rede grande, por isso temos condições de manter o atendimento. Se fosse qualquer outro, já teria fechado. Vendíamos 130, 140 mil litros (mês). Caiu para 50, 60 mil”, comenta. Um dos seus clientes em potencial é o motociclista Maurício de Oliveira Souza, que trabalha num sítio próximo. Ele também faz o percurso diariamente pela ponte metálica.

“Escorregar aqui é praxe. Já cortei o pneu. Acho que o borracharia do outro lado está se dando bem”, especula. A avaliação, porém, não corresponde à realidade. De acordo com Antonio Alves, borracheiro instalado no Distrito Industrial 1, a clientela caiu 90% sem a ponte.

“Eu apostei no ponto. Foi uma ilusão. Se a ponte fosse recuperada hoje, nem daqui a dez anos eu recuperaria meu prejuízo. Não tenho nada contra esse prefeito, mas ele que não deixe a recuperação para o próximo (chefe do Executivo)”, recomenda. Alves acredita que se o Mary Dota fosse endereço de juízes, promotores, delegado ou vereadores, a situação não levaria tanto tempo para ser resolvida.

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