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Investimento de empresas na área social é pulverizado

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 5 min

O investimento na área social em Bauru não pode parar. Com uma demanda aproximada de 80 mil pessoas vivendo em situação de pobreza, a cidade de 340 mil habitantes teve várias conquistas ao longo dos anos, porém, ainda é necessário otimizar ações para ampliar atendimento, e a participação mais efetiva da sociedade na gestão tem trazido resultados positivos.

“Este ano conseguimos, pela primeira vez, centralizar a campanha do agasalho”, exemplifica a secretária municipal do Bem-Estar Social substituta, Jussara Nabuco Canella. As ações coordenadas facilitam o atendimento das entidades cadastradas, além de priorizar as mais necessitadas. Em suas palavras, “há o comprometimento tanto da sociedade civil quanto do poder público”.

A cidade vivencia um período positivo na área, com a solidificação da rede de assistência social e a participação da sociedade em conselhos, participando das discussões e tomadas de decisão. Porém, como os números apontam, é necessário ampliar o atendimento.

Apesar de não existirem dados numéricos de todo investimento da sociedade no setor social em Bauru, pois muitos auxílios ocorrem na forma de doação de material e campanhas próprias que se somam aos recursos governamentais, a participação da sociedade civil é grande. “O que muitas vezes ocorre é uma entidade menos conhecida, que também faz um trabalho importante, não conseguir a mesma participação. O ideal seria que a Sebes fosse consultada sempre pelas pessoas e empresas interessadas em fazer doações”, orienta Jussara.

Além da secretaria, a Associação das Entidades Assistenciais e o Conselho da Assistência Social são órgãos que podem auxiliar a orientar os colaboradores a direcionar os recursos, sejam materiais ou financeiros. “Ações pontuais sempre ocorrem, como Dia das Crianças, Natal, campanha do agasalho, mas a necessidade é constante. É importante otimizar as ações”, explica.

Jussara cita como exemplo a construção de um equipamento social por uma empresa. “É importante a consulta, pois existe um diagnóstico. Há bairros onde a demanda maior é de crianças, e outros em que nos próximos dez anos a população maior será de idosos. A secretaria tem condições de dar todo esse suporte técnico”, informa.

Bauru é referência no trabalho desenvolvido na área social, que envolve ações da comunidade, entidades não governamentais, empresas, universidades e poder público. “Está mais fácil investir na área social, pois as políticas e diretrizes estão bem definidas e há a participação da sociedade civil em conselhos”, salienta Jussara.

Ela comenta, inclusive, que 2004 e 2005 marcam a conquista da gestão plena na área social, destacando Bauru entre cerca de 300 municípios do País a conquistá-la, com a implantação do Sistema Único da Assistência Social (Suas) e organizando as redes de proteção básica e especial, com quatro Centros de Referência da Assistência Social (Cras) e o Centro de Referência Especializado da Assistência Social (Creas). “Gestores de outros municípios vêm a Bauru para conhecer o modelo”, diz.

Rede social

Em pesquisa realizada em parceria pela Instituição Toledo de Ensino (ITE) e Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp) em 2001 com o objetivo de detectar o investimento social das empresas em Bauru, sob coordenação da professora do curso de serviço social Egli Muniz, antes mesmo de assumir a pasta da Secretaria do Bem-Estar Social no município, detectou-se que o investimento social é feito de forma aleatória, sem uma estratégia gerencial.

Mas este cenário vem mudando gradativamente, a exemplo de iniciativas positivas de empresas de Bauru. Uma fábrica de utensílios plásticos da cidade finalizou neste ano a construção da Creche denominada Centro de Educação Infantil Santo Antonio, que irá atender às crianças do bairro Ferradura Mirim.

O empresário Jad Zogheib, diretor-presidente de um grupo supermercadista da cidade, já promove há 11 anos a campanha “Natal Fraternal”, que destina verba às entidades assistenciais de Bauru. “O atual sistema da nossa campanha permite uma maior integração entre a comunidade e a instituição beneficiada”, observa o empresário.

Uma concessionária de veículos também desenvolve ações sociais, como o “Primo Solidário - responsabilidade social e compromisso com a comunidade” “Este é o comprometimento adotado pela empresa para contribuir com o desenvolvimento econômico, da qualidade de vida, da comunidade e sociedade como um todo”, diz o presidente do Grupo Primo, João Scaranelo.

O projeto JC na Escola completa seis anos e contempla praticamente toda a rede de ensino, tendo como principal objetivo formar leitores utilizando-se do veículo impresso como instrumento pedagógico. Coordenado pelo professor Sérgio Purini, o projeto é referência na área de educação.

“Os governos, por mais que se esforcem, não têm condições de resolver todos os problemas. O jornal, além do papel de informação e comunicação, não só aponta problemas da comunidade, mas busca e participa das soluções”, diz o gerente de marketing do JC, João Carlos Amaral, lembrando a missão de promover a cidadania democratizando o acesso à informação e defendendo a liberdade de imprensa.

Voluntariado

Com um comitê específico para atuar na responsabilidade social dos Correios, coordenado pela supervisora de ações de cidadania da empresa, Vanessa Clélia Carbone, a instituição promove várias ações corporativas na área social. Além do Banco Postal e festas solidárias, recentemente o comitê fez uma pesquisa para identificar o interesse dos funcionários no trabalho voluntário.

Vanessa, que coordena as 12 regiões do Estado, informa que o resultado em Bauru apontou o interesse pelo voluntariado na área ambiental, somando-se a outras oito regiões que dedicam-se ao tema; duas na área da saúde e uma na área cultural. “Diante deste diagnóstico, já preparamos um treinamento e iremos reunir o grupo para que possamos detectar as entidades que atuam com meio ambiente em Bauru, o que engloba vários assuntos, como o lixo”, explica.

Recentemente, os voluntários dos Correios participaram de um plantio de mudas na mata ciliar, com a organização não governamental Fórum Pró Batalha. Outra ação na área social é o posto de arrecadação permanente do Programa Fome Zero. “Este ano, estamos em parceria com o município e toda a arrecadação vai para as famílias necessitadas da cidade. Ao contrário do que muita gente pensa, os alimentos não saem de Bauru, a destinação é para as entidades cadastradas na Sebes.”

Ela diz que a empresa está reestruturando sua política de responsabilidade social interna, que depende da participação dos funcionários, pois não há recursos.

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