Nelson Batagim pretendia enterrar a história mal sucedida do negócio da Destilaria de Aguardente e Derivados da Barra Ltda, mas o escândalo do mensalão não permitiu. Ele investiu no negócio, nos anos 90, com esperança de que a venda de cachaça a granel para o Sul do País gerasse riqueza, junto com os irmãos Elivelton e Jair.
“Fiquei muito chateado com a exposição do meu nome sem dever nada. Sou funcionário público, ganho menos de dois salários mínimos por mês e meu nome fica público desse jeito, motivo de insulto, brincadeiras de mau gosto. Em uma cidade pequena como Coronel Macedo, todo mundo ficou sabendo”, conta Batagim.
O alambique não deu certo e, pressionado pelo empréstimo bancário usado para investir na empresa, Batagim vendeu a destilaria em 24/11/2000. A empresa foi assumida em 03/04/2002 por Eliana Célia da Silva, de Charqueada (SP), e Carlos Augusto Rigo Pensado, de Piracicaba (SP). Depois, João Carlos Rego Mendes, de Águas de São Pedro (SP), aparece como proprietário, embora, na prática, a destilaria nunca tenha funcionado depois de deixar as mãos dos Batagim.
“Com o mesmo cadastro de pessoa jurídica, a razão social da empresa passou para Destilaria de Álcool e Aguardente da Barra Ltda em março de 2002. Não tenho nada a ver com essa história e o alambique não funcionou nenhum um dia a mais desde que eu vendi. Não tenho nada com isso. Tenho uma casa humilde e um carro e tento ganhar minha vida como mecânico da prefeitura”, sintetiza Batagim.
“Eu acompanhava essa história do mensalão de longe e sabia da CPI dos Correios. Mas eu não gosto mais de política. Tive uma filiação ao PSDB, antiga, mas nunca freqüentei, participei. A maioria do povo acreditou no presidente Lula e agora no País todo se fala desse esquema. Enquanto não mudar as leis, fica esse círculo vicioso no poder”, finaliza.