A Secretaria Municipal de Educação está implantando projeto para criar uma rede de atendimento para alunos especiais no próximo ano com a instalação de oito pólos em regiões diferentes da cidade. A ação, mencionada pela secretária Ana Maria Daibem durante audiência pública na Câmara de Bauru, ontem, inclui o mapeamento de todos os alunos especiais existentes na rede municipal, para definir o programa por idade, deficiência e moradia.
O levantamento feito pela secretaria nas unidades municipais identificou a existência de 319 alunos com deficiências, contingente que não está na relação dos assistidos pelas entidades sociais que já atuam no segmento. “Essa demanda nos mostrou a necessidade de iniciarmos um programa específico junto à Diretoria de Divisão de Educação Especial atuando com a educação inclusiva”, conta Ana Daibem.
Conforme o mapeamento feito na rede, 254 alunos contam com deficiência mental, sendo pelo menos 131 deles matriculados em salas do Centro de Educação de Jovens e Adultos (Ceja), destinado a pessoas a partir de 13 anos.
“Alguns contam com diagnóstico formal de deficiência mental e outros com indícios de deficiência. Mas o mais importante é que esse mapeamento nos mostrou que é preciso criar esse pólos desde já”, opina Daibem. Outras 30 crianças apresentam problemas de surdez, 26 têm dificuldades físicas, sobretudo motoras, e nove são deficientes visuais, com cegueira identificada ou baixa visão.
A maior incidência é de alunos que freqüentam escolas na região do Jardim Bela Vista, com 32 casos localizados. Em seguida, o estudo verificou 25 casos no Mary Dota, 16 na Vila Falcao e 10 na região da Vila Independência, entre outros.
O mapeamento foi realizado em 72 escolas, além de 54 salas do Ceja na cidade. “Identificamos cada escola e cada classe, a idade e o problema de cada um desses alunos. Com isso planejamos a instalação de oito salas de recursos específicos. Serão seis pólos para atender aos deficientes mentais em escolas municipais e um para os situados com problemas auditivos e outro para a deficiência visual”, relata a secretária.
A localização da rede para alunos especiais vai levar em conta os dados geográficos apontados pelo mapeamento. Mas, de início, a secretaria já decidiu que os alunos vão continuar presentes nas salas de aula, com os demais, em um período do dia, e no outro irão receber o atendimento específico.
A secretaria adquiriu dois veículos para transporte especializado desse contingente para permitir a presença dos alunos especiais nos pólos. “O ideal seria uma sala para cada escola, mas estamos criando os oito pólos e iniciando uma etapa nova nesta área, com transporte das crianças de forma específica e especializada, com a segurança adicional e as condições próprias que o caso requer”, acrescenta a titular da pasta.
Rede paralela
A secretária Ana Daibem ressalta que a criação dos pólos para alunos especiais não se confronta com os atendidos pelas entidades sociais especializadas na cidade. “As entidades cumprem papel importante que o Poder Público não vem cumprindo, inclusive tendo feito o que foi possível fazer. Mas esse contingente localizado não alcança esses programas e isso exigiu o serviço próprio. Fizemos opção pela educação inclusiva neste governo”, enfatiza.
A Diretora de Divisão de Educação Especial, Mariza Escobar, conta que gerou um processo de ansiedade na rede a presença de alunos sem o atendimento especial nas escolas. “Os gestores encontraram dificuldades para atender a essas necessidades. Vamos atender esses alunos nas escolas e as entidades continuam atendendo à demanda específica, cujos deficientes não podem estar nas salas”, cita.
Para a secretária, as entidades continuam com os portadores de deficiência de níveis mais complexos, “em função até do know how desenvolvido. Mas a criança que puder ser atendida nos pólos terá essa oportunidade, o que se constitui em benefício para seu desenvolvimento mantê-la no ambiente de sua escola em um turno e nos pólos em outro”, finaliza Daibem.
O projeto de lei que cria o programa de educação especial foi enviado à Câmara Municipal há alguns dias e tramita pelas comissões internas. A lei é necessária para a instalação do programa.