Um dias após a entrega das chaves aos mutuários do Mary Dota, muitos moradores já encostavam com o caminhão de mudanças em suas casas. A maioria deles estava desesperada para fugir do aluguel. “Peguei a chave no domingo e na segunda já estava de mudança”, recorda o zelador Antonio Froes, que já estava com o contrato de aluguel vencido e era procurado constantemente pela imobiliária que tentava a renovação.
Na época, Froes ocupou um lote na quadra 1 da antiga rua 2, chamada atualmente rua Junichi Hanawa. Não havia calçada nem muro dividindo as residências. “Quando as pessoas passavam pelo bairro, cortavam o quintal das casas, pois não tinha nada dividindo uma casa da outra”, diz. Segundo ele, alguns vizinhos rachavam os custos da construção dos muros, pois seria útil para os dois e ficaria mais barato.
O eletricista autônomo Laércio Fernandes da Silva alega ter sido o primeiro morador da rua Pedro Salvador, antes chamada de rua 1. A pressa na mudança também foi motivada pelo aluguel que pagava. “A maioria das pessoas que chegou logo depois da entrega estava na mesma situação que eu, pagava aluguel”, afirma. Silva não esperava que o bairro fosse crescer tanto, pois tinha que ir até um mercadinho no Beija-Flor para fazer compras. “Agora tem tudo aqui. Farmácia, supermercado, caixa eletrônico, um monte de coisas”, diz.
O morador lembra com detalhes de um fato inusitado que ocorreu no Mary Dota durante a fase de ocupação. De acordo com ele, quando o sistema de distribuição de água foi acionado, muitos canos das ruas estouraram e o bairro apresentava vazamentos por todos os cantos.