São Paulo - Uma fábrica de fogos de artifício que funcionava clandestinamente numa chácara na região de Itaquera (zona leste) explodiu, ontem de madrugada, matando o casal proprietário e provocando ferimentos leves em seus três filhos. Os artefatos estavam estocados na casa da família e num galpão próximo a ela. Ambos desabaram.
O estrondo, ouvido num raio de cinco quilômetros, ainda quebrou vidraças, retorceu janelas e portas e causou rachaduras em casas em até um quilômetro de distância. Sob risco de desabamento, uma delas teve de ser interditada pela Defesa Civil. A primeira explosão foi por volta de 3h10, seguida de outro forte estrondo, menos de um minuto depois, segundo relato de vizinhos.
Na seqüência, houve cerca de 20 minutos de explosões, culminada num incêndio. “Abriu um clarão na mata”, apontou o coronel João dos Santos de Souza, comandante do Corpo de Bombeiros. As causas da explosão ainda são desconhecidas. De acordo com o coronel, “uma faísca ou fagulha” pode ter provocado a primeira detonação.
A Polícia Civil disse ter recebido a informação de que uma lâmpada fora esquecida acesa. Um laudo sai em 30 dias. Parte dos artefatos estava no forro da residência, onde teria ocorrido a primeira detonação. “Foi bem em cima do quarto do casal”, apontou o coronel Souza. Frederico Sanches Júnior, 44 anos, e Olinda Tizuka Mine Sanches, 46 anos, morreram na hora.
Por causa da primeira explosão, material incandescente foi arremessado ao galpão, provocando o segundo estrondo. Os filhos do casal, de 24, 19 e 17 anos, sofreram ferimentos leves. No final da tarde de anteontem, apenas a caçula permanecia em observação num PS do bairro. Durante todo o dia de ontem a polícia recolheu artefatos - caixas de fogos de artifício, pólvora, resinas, pavios e material para balões produzidos no local e também de outros fornecedores - em mais dois galpões na chácara.
Havia, ainda, material na loja em que Sanches vendia os produtos, a cerca de 200 metros do local. Os artefatos encheram “um caminhão e meio”, segundo a PM, e serão detonados hoje. Um vizinho comentou que a família morava no bairro “há uns 20 anos”.
Ex-metalúrgico, Sanches Júnior teria montado o negócio desde que ficou desempregado, há três anos. Cunhado dele, o mecânico Domingos Acelino, 59 anos, afirmou que alguns familiares já haviam alertado Sanches Júnior sobre os perigos de estocar o material.
O publicitário Milton Jesus Garcia, primo de segundo grau do ex-metalúrgico, comentou que a família “sabia que ele (Sanches Júnior) gostava de balões, mas não tinha conhecimento do estoque de fogos”.