Lojas lotadas, ruas congestionadas e muita correria. Esta é a previsão dos lojistas para o último dia de horário especial do comércio, que fica aberto hoje até as 22h. Além do hábito do brasileiro de deixar tudo para a última hora, ainda há o agravante de que neste ano o feriado cai no final de semana, ou seja, quem precisa trabalhar até mais tarde disputará com os atrasados as ofertas do comércio. Amanhã o horário das lojas será normal, das 9h às 18h.
Apesar do volume de vendas ser alto, o aumento percentual em relação ao mesmo período do ano passado será ofuscado pela inflação. De acordo com o vice-presidente da Associação das Empresas do Calçadão (AEC), Francisco Alberto Franco de Bernardis, o Kiko, o aumento está estimado em 10%, mas como a inflação anual foi em torno de 7%, o lucro real será de 2% a 3%. “De qualquer maneira, o fechamento total será feito apenas no início de 2006”, explica.
Nos supermercados, o crescimento percentual das vendas em relação ao mesmo período do ano passado varia de 5% a 20%. Segundo Valdecir Alves da Silva, gerente de uma das unidades de uma rede de supermercados de Bauru, a inflação é realmente o fator decisivo para impedir uma lucratividade maior. “Como estamos com uma nova unidade, ainda não podemos precisar o lucro, mas acredito que seja superior a 5% em relação ao Natal do ano passado. Não será maior por conta da inflação”, comenta.
Para Marcos Renato Lourenção, gerente de compras de outra de rede de supermercados da cidade, o lucro pode chegar a 15%. “Investimos muito em opções para os consumidores, tanto que não temos cestas de Natal fechadas, o cliente escolhe os produtos e monta sua cesta na hora. Acredito que este diferencial seja um dos fatores de crescimento da rede”, afirma.
Cestas de Natal opcionais são um diferencial, mas as cestas fechadas tradicionais continuam vendendo muito bem e são fração importante do ponto de equilíbrio de alguns supermercados. “Vinhos e panetones estão com venda 10% acima do que no mesmo período de 2004”, ressalta Silva.
As cestas fechadas podem variar de R$ 30,00 a R$ 200,00 nos supermercados, dependendo da quantidade e da qualidade da mercadoria. No caso de aves e carnes, o quilo do frango pode ser encontrado a R$ 1,75, para produtos de frigoríficos regionais, e R$ 6,00 em caso de produtos de marcas tradicionais. O quilo do pernil pode variar de R$ 3,95 a R$ 12,00.
Importados em alta
Para quem trabalha com produtos importados, o Natal deste ano foi bastante lucrativo por conseqüência da queda do dólar. De acordo com Carlos Prando, sócio-proprietário de uma loja de artigos nacionais e importados, a rentabilidade será cerca de 35% superior ao mesmo período do ano passado.
“Os produtos importados tiveram queda de preço de 20% a 30% se comparados ao Natal de 2004. Repassamos esta redução ao consumidor, investimos em publicidade e marketing e estamos tendo um final de ano muito próspero”, salienta.
Na loja de Prando, kits e cestas de Natal podem variar de R$ 10,00 a R$ 4 mil. O valor máximo pode ser alcançado porque ele é o único comerciante do Interior de São Paulo a ter em seu estabelecimento uma garrafa do uísque Johnnie Walker Blue Label Baccarat, que custa impressionantes R$ 12.500,00 (leia mais no texto abaixo).
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Ouro engarrafado
R$ 12.500,00. Este é o preço de uma garrafa do uísque Johnnie Walker Blue Label Baccarat, que está sendo vendida na loja de produtos importados de Carlos Prando. De acordo com ele, a bebida alcança esta cifra porque é uma edição limitada, feita com maltes raros, envelhecida 60 anos e acondicionada em uma garrafa de cristal Baccarat.
“Foram produzidas 100 unidades no mundo, 20 vieram para o Brasil e uma para Bauru. Apesar do preço, já existem quatro compradores interessados”, conta. Prando explica que, por conta da queda do dólar, o valor da raridade é negociável.