Articulistas

Eu vi o Papai Noel brasileiro


| Tempo de leitura: 2 min

A caminho do trabalho, hoje pela manhã, liguei o rádio do carro. John Lennon cantava “Happy Christmas”. Imediatamente me senti tomado pelo alegre espírito natalino.

Olho para frente e vejo, em plena rua 13 de Maio, Papai Noel vestido de vermelho e seu trenó amarelo cheio de caixas. Foi uma breve ilusão de óptica. Olhando melhor, notei que o bom velhinho não era assim tão velhinho, na verdade tinha uns 12 anos. A roupa vermelha não era aquela cheia de pompons, era mais para cor-de-abóbora, uma bermuda de gari e uma camisa vermelha desbotada. O trenó amarelo estava sendo empurrado pelo Noel, não tinha renas, e as caixas da carga eram vazias e destruídas, na verdade, sucatas de papelão. O trenó andou um pouco e uma de suas duas rodas ficou presa em um buraco do asfalto, e o menino passou a fazer o esforço de muitas renas para tirá-lo dali.

A visão desse triste Papai Noel brasileiro acabou com meu espírito natalino e desliguei o rádio. Fiz o resto de meu percurso para o trabalho pensando naquele menino, que logo pela manhã já havia juntado tanta sucata para vender, e que talvez fosse, sim, ser o Papai Noel de seus irmãos menores e até de seus pais, levando, não presentes, mas um alimento talvez um pouco melhor.

Pensei, então, naqueles que procuram ajudar esses tristes Noeis. E quero aplaudir a legião de entidades assistenciais e voluntários que Bauru tem, sim, graças a Deus, e que mitigam o sofrimento de muitos. Impossível, também, deixar de pensar que muitos continuam morrendo ou sobrevivendo precariamente neste pais, enquanto jorram escândalos milionários envolvendo aqueles que deveriam promover o desenvolvimento de nosso povo. Se você é um Papai Noel que não empurra trenós de sucata, pense bem se está fazendo a sua parte, mesmo que pequena, e tenha um Feliz Natal.

O autor, Eric-Édir Fabris, é engenheiro civil em Bauru

Comentários

Comentários