Espiritualidade, paz, esperança, amor e pensamentos positivos. Poderia ser uma mensagem clichê de Natal, mas é a sinergia do segundo CD da banda bauruense Mommy Let’s, “Um Bom Lugar Pra Ficar”. A mudança no som - antes mais violento e agressivo, nas letras e nos instrumentos - é refletida também na redução do nome do grupo, antes Mommy Let’s Fuck It All. Sinal de amadurecimento geral.
O som da banda no passado era uma mescla de influências, mais próximo de Planet Hemp do que de Cypress Hill. No atual momento, a banda tenta fugir do trivial do rock-pop-punk nacional - quase sempre com sucesso - e inclui referências óbvias a Red Hot Chili Peppers, Rage Against the Machine, Audioslave - especialmente nas guitarras e baixo - e, em seus momentos menos inspirados, a melodias do Charlie Brown Jr. (o instrumental, não as letras, que fique claro).
Arion Malostri (vocal), Eduardo Misson (baixo), Ricardo Papitow (bateria), Marcelo JS (guitarra) e Renato Danconi (guitarra) gravaram as 10 faixas do disco em Bauru e mandaram o material para masterização em São Paulo, no Estúdio Midas, nas mãos de Alejandro Marjanov (vocalista dos Detetives). Lançado de forma independente, o CD já está à venda em algumas lojas de Bauru, juntamente com o convite para o lançamento oficial, no dia 13 de janeiro, no Armazén Bar. “Queremos divulgar o disco antes de tentar contato com alguma distribuidora ou gravadora”, comenta Malostri. A primeira música de trabalho, “Fantasmas”, também já chegou às rádios da cidade, como a Veritas FM e a 96 FM. “Devemos gravar o clipe em janeiro”, revela o vocalista.
“Um Bom Lugar pra Ficar”, que abre e dá nome ao disco, é marcada por um riff a la John Frusciante, desolado, ao lado do refrão que apresenta o clima positivo das músicas: “É sempre bom poder encontrar/ Em seu sorriso um bom lugar pra ficar”. “A Passagem” não muda muito a levada e também ganha destaque pelas guitarras. “Sangue nos Olhos” altera o rumo do que a banda apresentava até então com uma balada ao violão e também no tema da letra: “Sangue nos olhos nunca por opção/ Erro de percurso, vida na contramão/ Lágrimas em tons avermelhados/ Moldaram o semblante com lembranças do passado”, entre as mais introspectivas. “Fantasmas”, a primeira música de trabalho, acrescenta algo de hardcore no disco até então mais próximo de um rock mais calmo e setentista.
E vem “Castelo Sem Fim”, a mais longa e menos interessante do álbum. Apesar do mérito de arriscar em uma letra inusitada, sem refrão, e de ser consistente na melodia, a canção se perde em algum momento, assim como “Minha Casa”, que encerra o disco. Apoiada nas boas guitarras de um rock de Los Angeles, a música escapa dos temas centrais do disco e apoia-se em um relato sem fim. No final da audição, o que fica é um CD com bons momentos e letras interessantes, apesar de algumas faixas parecem “maduras demais”, quando saber fazer graça de si mesmo pode ser uma virtude.
Os convites para o lançamento, juntamente com o CD, estão à venda na Arsenal Skate Shop, Radioativa, Debike, TatooAge Clinic, Flipper Lanches e ArqVideo. Mais informações pelo telefone (14) 6161-7977 ou 9706-5778.