Uma unidade de regime semi-aberto da Fundação do Bem-Estar do Menor (Febem) poderá ocupar um prédio no Jardim Cruzeiro do Sul, em Bauru, onde já funcionou o abrigo para menores do Centro de Recuperação e Reintegração de Menores (Gilgal) e posteriormente da Comunidade União em Amor (Comuna), hoje fechadas. As duas entidades foram desativadas por sucessivas falhas administrativas.
Agora, parte do imóvel está sendo disponibilizada para a entidade que tiver interesse em desenvolver projeto social. A Febem foi a única entidade a manifestar interesse em ocupar o prédio, de acordo com informações do promotor da Vara da Infância e Juventude, Lucas Pimentel, em entrevista concedida à 96FM ontem.
Segundo ele, as entidades interessadas em pleitear a ocupação do prédio podem fazer suas inscrições não há previsão de encerramento dos interessados. No entanto, quando do encerramento, caso haja apenas a Febem como única interessada, o prédio será cedido à entidade, que provavelmente instalará uma unidade para menores que cumprem pena em regime semi-aberto ou com liberdade assistida. “Vamos privilegiar abrigos, ou seja, entidades que desempenhem a mesma atividade da Gilgal e da Comunaâ€, explica Pimentel.
A Comuna desocupou o prédio há pouco mais de um mês, por falta de recursos para a manutenção da entidade. Antes da Comuna, o prédio foi ocupado pelo Gilgal que, desde a década de 80, trabalhava na recuperação de dependentes químicos. A entidade encerrou suas atividades em meados de 2004 também por falta de recursos financeiros devido à não-prestação de contas do uso de verba pública.
“Os problemas que fazem com que os abrigos fechem as portas estão relacionados à falta de capacitação da administração. Outro problema é a falta de recursos financeirosâ€, salienta Pimentel.
De acordo com ele, há uma grande preocupação por parte do Ministério Público com relação à falta de abrigos para menores em Bauru. Por isso, a Promotoria já encaminhou uma carta à Secretaria do Bem-Estar Social de Bauru (Sebes) e ao Conselho Municipal da Criança e do Adolescente para que atuem de forma preventiva para que outros abrigos não venham a fechar.
Parte do prédio pertence à prefeitura e outra à própria Gilgal. Segundo o chefe de Gabinete da prefeitura, Paulo Sérgio Canalli, a Sebes tem interesse em instalar um projeto social no prédio atualmente vazio. Como faltam abrigos na cidade, a intenção seria unificar a Casa de Nazaré e o Centro de Valorização da Criança (Cevac) em um único abrigo para meninas e transferi-lo para o prédio.
Segundo Pimentel, não há nada definido sobre o futuro do prédio e o processo encontra-se em fase de liqüidação. “Estamos convocando as entidades que têm interesse em ocupar o prédio e o juiz vai avaliar o destino mais adequadoâ€, afirma.
Há cerca de dois meses, quando tiveram início as especulações sobre a instalação de uma unidade da Febem no local, vizinhos do prédio manifestaram-se contra a proposta.