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Extração de prata garante vida de prazeres a ‘químico’

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Filho de fazendeiro, Claudemir Martinez Borin, 57 anos, não desdenhou de um conselho de bêbado. Fez bem. Graças a ele, extrai prata de resíduos fotográficos e consegue dinheiro suficiente para levar uma vida de prazeres, estrada afora.

Já percorreu mais de dois milhões de quilômetros em busca de material e satisfação. De gestos simples e simpatia peculiar, não se intimida em interromper qualquer viagem diante de uma cachoeira ou de águas onde possa pescar. Leva com ele, acondicionados na carroceria da caminhonete, todos os apetrechos de pesca. “Todo mês, são 20 dias de trabalho e dez de lazer”, explica a esposa, Glória Maria Pretto Martinez.

Com sotaque e beleza de gaúcha, foi fisgada aos 16 anos por Claudemir, a quem acompanha pelas viagens. Juntos há 31 anos, constituíram família da qual se orgulham. “Meu filho mais velho (29 anos) andou 22 mil quilômetros antes de nascer. Minha maior aventura foi casar com essa mulher. Ela era mansa. Eu a ensinei a ser brava, mas agora é brava demais”, afirma.

O casal já passou por todos os Estados brasileiros, além de outros países da América Latina. “Todos os lugares são inesquecíveis. Não tem um nome de praia que você possa dizer que ela não tenha usado”, comenta orgulhoso. Entre idas, vindas e remessas de prata para São Paulo, ele comprou imóveis em Araçatuba (São Paulo), Paranavaí (Paraná) e São Francisco do Sul (Santa Catarina).

A casa da praia catarinense tem 200 metros quadrados e está ininterruptamente aberta aos amigos. São tantos que só de afilhados ele têm 108. A 102ª foi adotada como quarta filha. Com as viagens, intensificadas nos últimos 12 anos, as empregadas ajudaram bastante na educação das “crianças”, admite.

Antes de sair pelas cidades em busca de material para extração de prata, Claudemir tinha um ferro velho, ainda apto a abrir as portas a qualquer momento. Também deu esparsas aulas. Ele é habilitado a dissecar matérias como matemática, física e química. No entanto, na última, “titulou-se” na prática, com a atividade profissional sugerida pelo tal bêbado, de quem é amigo até hoje, a ponto de lhe enviar dinheiro mensalmente.

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