Ramallah - O braço armado do grupo extremista palestino Hamas, as Brigadas de Izz al Din Qassam, anunciou ontem oficialmente que o período de trégua estabelecido com o governo palestino, para o fim dos ataques contra Israel, terminou. Os extremistas também prometeram “vingança” pela morte de dois palestinos, ocorrida anteontem.
Soldados israelenses mataram no sábado dois palestinos que entraram na zona de segurança declarada na última semana por Israel, localizada dentro do território de Gaza. A região foi fechada por Israel em uma tentativa de coibir o lançamento de foguetes Qassam (de fabricação caseira) contra cidades israelenses próximas da fronteira com o território palestino.
O Exército afirmou que os dois homens eram extremistas palestinos, e preparavam o lançamento de foguetes. “Esse crime será punido”, afirmou o Hamas. O grupo militante também afirmou que o fim da trégua significa a retomada da violência. “Depois que o último momento da trégua acabou, o inimigo (em referência a Israel) vai pagar o preço por seus crimes cometidos contra nossos filhos durante todo o período de cessar-fogo”.
O Hamas tem sistematicamente acusado Israel de violar o cessar-fogo, iniciado em 8 de fevereiro de 2004, após um acordo entre o primeiro-ministro israelense, Ariel Sharon, e o presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), durante a cúpula de Sharm el Sheikh, no Egito.
O anúncio coincide, neste fim de semana, com uma possível crise interna no Hamas por causa das eleições legislativas do próximo dia 25 em Gaza, Cisjordânia e Jerusalém Oriental. O líder do Hamas na Cisjordânia, Hassan Youssef, um moderado preso há dois meses na casa de detenção israelense de Ashkelon, acusado de “contatos com uma organização terrorista”, parece refletir o enfrentamento entre os dirigentes fundamentalistas.
É ignorado por enquanto se a decisão de Youssef, que apoiou a realização das eleições - ao contrário de seus aliados na Síria, como o chefe político do Movimento, Khaled Mashal -, está relacionada ao anúncio das Brigadas de Izz al Din Qassam.
O dirigente do Hamas para o Exterior, Jaled Mechaal, afirmou em dezembro passado, em uma entrevista realizada na cidade de Damasco (Síria), que o Hamas não iria prolongar a trégua. Três grupos armados palestinos reivindicaram neste domingo a autoria de uma série de disparos de foguetes contra Israel a partir da Faixa de Gaza, desde o fim da trégua. As Brigadas dos Mártires de Al Aqsa - braço armado do maior partido político palestino, o Fatah - e o grupo extremista Jihad Islâmico anunciaram, em um comunicado conjunto que dispararam vários foguetes às 4h15 (0h15 de Brasília) contra a cidade israelense de Sderot, no deserto de Negev (sul). Não há registro de vítimas. Os Comitês de Resistência Popular reivindicaram disparos de foguetes contra o Exército israelense em Gaza.
Sharon
O premiê israelense, Ariel Sharon, 77 anos, passará por um cateterismo na quinta-feira para fechar um pequeno orifício que, aparentemente, teria sido a causa do derrame sofrido pelo premiê em 18 de dezembro. Na abertura, que mede cerca de dois milímetros, teria se formado o coágulo que atingiu o cérebro e tapou uma das veias por alguns instantes. Segundo os médicos, a perfuração é uma lesão que atinge entre 15% e 20% da população.