Moscou - A Rússia cortou ontem o fornecimento de gás natural da Ucrânia, principal rota do produto em direção à União Européia, devido a um impasse nas negociações sobre o preço. A UE se prepara para eventual escassez, após relatos de diminuição do fluxo na Hungria. O impasse, que envolve elementos comerciais e políticos, causou preocupação nos países da UE, que importam da Rússia cerca de 25% do gás que consomem.
No período de inverno, em que os aquecedores são exigidos, o gás tem seu consumo máximo. A empresa de extração e transporte de gás Gazprom, controlada pelo governo russo, diminuiu ontem o fluxo dos gasodutos que passam pela Ucrânia na mesma quantidade que o país consome.
Segundo Sergei Kupriyanov, porta-voz da Gazprom, como a Ucrânia não aceitou a proposta de reajuste - de US$ 50 para US$ 230 por mil milímitros cúbicos, os gasodutos foram ajustados para levar apenas a quantidade consumida pelos demais importadores. Se eles não recebessem todo seu gás, a Ucrânia estaria interferindo no fluxo. Autoridades ucranianas acusam o governo russo de retaliar o novo governo do país.
Em 2004, o candidato à Presidência apoiado pela Rússia foi derrotado nas urnas após acusações de manipulação eleitoral. O presidente eleito pela chamada “Revolução Laranja” foi Viktor Yushchenko, que neste ano mostrou sua tendência pró-ocidental lançando a Ucrânia como candidata a integrante da Otan e da União Européia.
Segundo Yushchenko, seu país está disposto a negociar, mas o preço pedido é artificial: “A Ucrânia está pronta para mudar para o preço de mercado em 2006. Não precisamos de empréstimos, podemos pagar. Mas tem de ser um preço real, que siga o modelo europeu”, declarou.
O presidente classificou como “pressão econômica” a atitude russa. Os russos justificam o aumento como uma simples passagem de um preço subsidiado - a Rússia confirmou na semana passada um acordo com Belarus de gás a US$ 47, por exemplo - para um preço de mercado. Moscou deu como última oferta a manutenção dos preços por três meses, contanto que a Ucrânia aceitasse o reajuste logo em seguida.