Articulistas

Sob o signo da incógnita


| Tempo de leitura: 3 min

2006 será um ano de paciência, regido por Saturno, como afirmam os astrólogos, ou um ano de cachorradas, seguindo o horóscopo chinês? Dedos e anéis vão ficar, ou vamos sofrer novas e mais doloridas mordidas?

Vejamos os que nos espera: Taxa de Inspeção Veicular, aumento do IPVA, aumento do DPVAT, “Chip” de licenciamento e sabe-se lá mais o quê. Ah, eu esqueci da alteração na forma de cobrança dos serviços telefônicos! Aprendi a ignorar as previsões de economistas: Elas são piores que as dos astrólogos da moda. Estes últimos, pelo menos, se baseiam nas órbitas dos planetas. Já os economistas de plantão preferem as chuvas de meteoros.

Para algumas seitas, o mundo vai acabar! Paradoxalmente, eles vão continuar a passar a “sacolinha” em seus cultos, e a pedir votos para os seus candidatos. Mas ele vai acabar mesmo! Ao menos para os que partirem desta para uma melhor... Mas isso não é tão importante, em 2006: O que vale é que o Brasil tem tudo para ganhar a Copa da Alemanha! Se vai ganhar é outra coisa, mas sendo campeão ou não, deve haver aumento dos combustíveis. Mas o ano de 2006, com certeza, é um ano de muitas promessas, pois é ano de eleição! Vai ter promessa para todos os gostos e desgostos: grandes, médias, pequenas, utópicas, fugazes, levianas, indecorosas, malucas, imbecis...

Para variar, vão pulular dossiês, denúncias, panfletos apócrifos, apoios hipócritas e alianças oportunistas. Os candidatos serão os mesmos? Com certeza! Afinal, nada parece mudar na política brasileira, mesmo quando muda. A situação tentará se manter no poder usando todos os seus tentáculos! Já a oposição parece que continuará a acenar com as mesmas opções: a que nunca vai crescer, e a genérica. Teremos os candidatos de galochas e os de salto alto. Talvez surja alguma novidade para esfriar o clima quente de Brasília: um vento das alterosas, quem sabe; ou talvez um alquimista esteja chegando.. Vai ser um ano de extravagâncias gastronômicas, nas viagens de campanha, com muita buchada de bode e calango no espeto; mas deve continuar a ser de muita pizza, em Brasília, enquanto o povo vai continuar a comer o pão que o diabo amassou. Mesmo assim, estará nas mãos do eleitor escolher quem lhe aprouver, apesar de saber que, pelos quatro anos seguintes, ele terá que continuar a aturar quem não quis, e a mudança de posição - ou “nova interpretação” - dos que levou ao poder. Mesmo assim, vai se encher de esperança e continuar a trabalhar para tentar levar uma vida honesta e dar um futuro digno aos seus filhos, apesar de continuar a ter educação, moradia, saúde e transporte, que quem diz que são de boa qualidade não os freqüenta ou utiliza! Ah, o “Caixa 2” vai acabar! Agora será “Caixa 3”, depositado no “Caixa Prego”, mas continuará a ser uma vergonha acachapante! Mas há um sopro de contrição no ar - alguns até já ficaram resfriados com ele: As denúncias de 2005 fizeram alguns recolherem as asas e garras. Outros, para evitarem suspeitas, já anunciaram que não usaram roupas íntimas em 2006, principalmente cuecas! Malas? Só eles próprios...

Acreditei que 2003 nasceu sob o signo da esperança... Senti o cheiro da nova estação, como diz Belchior, para, pouco depois, constatar que as aparências não enganaram não! Mas a esperança é nossa, e não dos outros! Nós nos acostumamos a colocá-la nas mãos dos outros, quase sempre erradas, mas não por nossa culpa! Talvez ainda não tenham aparecido as pessoas certas; talvez nós devêssemos depositá-la em nós mesmos, sendo mais ativos e questionadores. Assim, quem sabe um dia, ela há de vencer o medo, a arrogância, a falta de honestidade e de patriotismo dos que buscam a vida pública para praticar vampirismo e parasitismo com a nação, quaisquer que sejam suas linhas ideológicas, religiosas, legendas de ocasião ou de bolso, ou condição social pregressa.

É isso aí! Que a gente tenha, então, mais do que esperança em 2006, com a graça de Deus!

O autor, Adilson Luiz Gonçalves, é escritor, engenheiro, professor universitário, mestrando em Educação pela Unisantos e autor do livro: “Sobre Almas e Pilhas”

Comentários

Comentários