Ontem, alguns postos de combustíveis de Bauru já exibiam novos preços para o litro do álcool e da gasolina, configurando o primeiro reajuste de 2006 e o terceiro desde setembro do ano passado. Desta vez, a média do valor de venda ao consumidor final passou de R$ 1,59 para R$ 1,69 (alta de 6,2%) no álcool e de R$ 2,49 para R$ 2,55 (alta de 2,4%) na gasolina. Matérias publicadas pelo Jornal da Cidade em dezembro último já apontavam o cenário de novos aumentos dos combustíveis.
Mais uma vez, a justificativa por parte das companhias distribuidoras é o período de entressafra da cana-de-açúcar, que começou em outubro e prossegue até maio. Além disso, a partir de fevereiro o Brasil começará a exportar álcool para países como China e Japão (conforme matéria publicada na edição de 7 de dezembro do JC), o que também tem motivado as recentes altas de preços do álcool hidratado comercializado nos postos. Em média, a cada R$ 0,04 de aumento no álcool, a gasolina sobe R$ 0,01, já que na composição da gasolina há 25% de álcool anidro. Projeções indicam que, em fevereiro, o litro do álcool em Bauru pode chegar a R$ 2,00.
Os donos de postos Edivaldo Tuschi e Wagner Siqueira (que também preside o Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo em Bauru - Sincopetro) reclamam do descontrole e da gravidade da situação. Na avaliação deles, a volta do tabelamento dos preços - extinto em 1995 - poderia colaborar para a estabilização do mercado, que nos últimos meses tem registrado reviravoltas incontroláveis.
“A situação está absurda. O preço de custo do álcool para nós (revendedores) tem subido uma média de R$ 0,10 por semana. Para se ter uma idéia, eu estou comprando álcool nas distribuidoras por R$ 1,41 o litro. No caso da gasolina, já tem companhia vendendo ao custo de R$ 2,21. O consumidor acha que isso é bom para nós, mas não é. Tem muita gente perdendo dinheiro e mudando de ramo”, lamenta Tuschi, enquanto mostra notas fiscais com os novos preços de custo dos combustíveis.
Intervenção
Na opinião do empresário, o governo federal deveria intervir para frear a alta desenfreada dos preços do álcool durante a entressafra da cana. Ontem, o governo admitiu a possibilidade de adotar medidas para coibir os aumentos (leia mais na página 23). Em 2005, o álcool hidratado subiu 28%.
Em dezembro, o litro da gasolina chegou a custar R$ 2,59 em alguns postos de Bauru, mas depois houve uma acomodação de preços e a média voltou a ser R$ 2,49. “As coisas têm mudado tanto que não é mais possível saber o que vai acontecer no dia seguinte. As distribuidoras não param de reajustar os preços desde o ano passado”, diz Tuschi.
No patamar atual, o preço do litro do álcool já corresponde a quase 70% do valor da gasolina, o que tem preocupado proprietários de veículos flex. O analista de sistemas Ulisses Polate de Oliveira desistiu de comprar um carro bicombustível diante de tantos reajustes.
“O preço do álcool tem subido demais. Para um carro de motor 1.0, já não é mais vantagem. Além disso, tenho amigos que têm reclamado do motor flex, dizendo que o rendimento é baixo. Analisando tudo isso, decidi comprar um carro (0 km) movido a gasolina, mesmo”, conta.